Limites entre estética e saúde

Enviada em 18/08/2020

Silicone, anabolizantes, lipoaspiração. Esses são alguns dos métodos comumente utilizados para modificar a aparência e elevar a autoestima. Contudo, apesar de frequentes e eficientes em mudar a aparência, eles podem trazer riscos ao bem-estar físico e mental de quem os realiza. Nesse sentido, a busca exagerada por uma estética perfeita é um problema grave, visto que pode trazer prejuízos à saúde e tem a sua origem na pressão para que se siga o padrão estético vigente e na mercantilização do corpo.

Inicialmente, as mídias veiculam uma modelo de beleza extremamente difícil de se alcançar, mas que mesmo assim é buscado. Em consonância com o pensamento de Durkheim, os fatos sociais são as regras responsáveis por manter a sociedade unida, porém são capazes de causar sanções naqueles que não as seguem. Diante disso, atores de novela e celebridades da música exibem fotos editadas e tiradas de ângulos vantajosos e divulgam-nas como sendo a realidade, consequentemente, os que se distanciam desse formato utópico de corpo sofrem preconceito e têm a sua autoestima reduzida. Percebe-se, assim, um aumento na procura por processos mais invasivos para obter aceitação.

Por outro lado, vive-se um momento no qual tudo vira um produto, e o corpo humano não é uma exceção. De acordo com a Escola de Frankfurt, a indústria cultural é marcada pela perda da essência das obras de arte, porquanto elas entram em um processo de venda em massa que visa aumentar o lucro das empresas. Semelhantemente, com o surgimento das redes sociais, a aparência das pessoas virou um produto, pois quanto mais próximo da estética idealizada, mais curtidas se obtém e maiores as chances de conseguir um patrocinador ou ser aceito. Dessa forma, a objetificação dos indivíduos é um importante fator pela busca por procedimentos que põem em risco a própria saúde.

É mister, portanto, tomar medidas que atenuem a radicalização de processos estéticas. Logo, cabe as emissoras de televisão elaborarem uma minissérie que trate sobre as diferentes maneiras de ser bonito, por meio da participação de atores e pessoas comuns que não possuem a aparência vista como perfeita e se sentem bem consigo ou que já sofreram discriminação por não seguirem os moldes estabelecidos. Além disso, haverá um projeto de priorização da escolha de protagonistas que fujam do padrão estético -pessoas gordas, enrugadas ou com os dentes irregulares, por exemplo- para as novelas. Espera-se, com isso, aumentar a aceitação pelo próprio corpo e diminuir a procura por operações que o modifiquem exagerada e perigosamente.