Limites entre estética e saúde
Enviada em 29/07/2020
A cantora Alessia Cara, em sua música “Scars to your Beautiful”, critica a influência que a mídia tem sobre nós, pregando padrões de beleza, fazendo com que muitas pessoas deixem de se alimentar corretamente ou se exercitem além do que seu limite permite para chegar ao “corpo perfeito”. Essa música reflete muito nossa sociedade atual, na qual é pregado que você tem que ser extremamente magra, ter um corpo sem defeitos, cabelos sedosos e pele perfeita. Infelizmente, para chegar nesses objetivos, muitas pessoas fazem restrições alimentares, dietas muito rigorosas, sem ter uma alimentação saudável, ou recorrem a procedimentos estéticos, mesmo sem ser necessário.
Atualmente, os adolescentes se sentem muito pressionados a se encaixarem no padrão de beleza atual e passam a desenvolver vários distúrbios alimentares gerados por causas psicológicas, que ocasionam uma alteração da percepção e distorcem a imagem corporal do indivíduo. Um exemplo disso é a anorexia, que faz as pessoas deixarem de comer para não engordarem, exagerarem nos exercícios físicos e no uso de medicamentos laxantes e diuréticos. De acordo com um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde, 77% das jovens em São Paulo apresentavam propensão a desenvolver algum distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar.
Além disso, as cirurgias plásticas vêm sendo muito utilizadas, essas são associadas à busca por um ideal estético de beleza e, lamentavelmente, muitos cidadãos se vêm obrigados a realizar esses procedimentos para serem aceitos socialmente. Prova disso são os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que mostraram que cerca de 60% desses métodos continuam sendo para fins estéticos e em outra pesquisa, a mesma instituição divulgou que nos últimos dez anos houve um aumento de 141% nos procedimentos em jovens de 13 a 18 anos.
Em suma, é de extrema importância combatermos o culto à padronização corporal no Brasil, devido às consequências negativas que ela apresenta para a população, tanto mentalmente quanto fisicamente. Assim sendo, a mídia, que influência nos costumes da sociedade, deve servir como meio para conscientizar os cidadãos sobre a diversidade de corpos, através de filmes, séries e revistas, fazendo com que as pessoas consigam se identificar com suas fisionomias, com o objetivo de diminuir o número de cidadãos que se sentem obrigados a realizar procedimentos estéticos e cirurgias. Ademais cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com profissionais na área de transtornos alimentares, promover palestras nas escolas sobre esses distúrbios e debater sobre a prevenção dessas doenças e o tratamento delas após o diagnóstico, já que essa intervenção terapêutica requer uma equipe multiprofissional, de modo a diminuir os casos de adolescentes vitimas dessas condições.