Limites entre estética e saúde
Enviada em 01/08/2020
A temática relativa a padrões estéticos está em evidência no decorrer dos anos 2000, como resultado, discussões a respeito de cirurgias plásticas e seu impacto sobre a saúde crescem. Com o fim de buscar a “perfeição”, uma parcela da população submete-se, de forma arriscada, a operações potencialmente perigosas para sua saúde física. Além disso, perseguir um ideal de beleza sem a devida precaução pode afetar negativamente a saúde mental de uma pessoa, tendo o efeito contrário do esperado, além de perpetuar influências sociais e culturais.
Índices sugerem que cirurgias plásticas crescem a cada ano no mundo. Consequentemente, coexistimos sob um ideal fabricado de aparência, recebendo influências externas, de colonização e cultura, onde o dito “certo” é difundido em desfiles e filmes. Com uma excessiva publicidade moldando o que é belo ou não, pessoas podem desenvolver transtornos psicológicos, como bulimia, anorexia e transtorno dismórfico, prejudicando sua autopercepção, necessitando intervenção médica. A questão estética no público usuário de redes sociais, que inconscientemente compara-se com outras pessoas que encaixam no padrão, faz um indivíduo, por exemplo, ficar exageradamente na academia ou buscando dietas sem embasamento nutricional, agindo como se seu corpo fosse motivo de punição.
Uma segunda linha de raciocínio desenrola-se na função de uma cirurgia plástica. Procedimentos como reconstruções faciais pós-acidentes objetivam qualidade de vida e melhora da autoestima do paciente. A avaliação médica comprova a necessidade ou não de uma operação, porém há quem prefira arriscar a vida em consecutivas e desnecessárias alterações, como o caso do Ken humano. Somado a isso, a questão de preços induz pessoas a procurarem lugares clandestinos, aumentando as chances de sequelas e até morte. Em outros casos, uso de remédios sem indicação pode comprometer o metabolismo.
Dito isso, entende-se como conteúdos que valorizam a essência do belo, o diferente, são cada vez mais urgentes. Nesse sentido, campanhas publicitárias para todos os públicos, realizadas por diferentes instituições, podem ser estruturadas para atender diversos fenótipos. A exemplo, uma campanha da Calvin Klein, em 2020, que buscou uma modelo “plus size”, trans e negra para mostrar que o padrão deve ser uma construção pessoal e todo corpo é ser sinônimo de beleza. Por fim, é interessante ressaltar que uma pessoa não nasce com relação conturbada com a estética, mas é inserida numa construção social. Cabe citar a quebra de padrões promovida por algumas influenciadoras digitais “body positive”, mostrando, na prática, para diversos públicos, o processo de aceitação.