Limites entre estética e saúde

Enviada em 03/08/2020

A jornalista e escritora feminista estadunidense, Naomi Wolf, em sua obra intitulada “o mito da beleza”, publicado em 1990, aponta sobre a imposição de padrões estéticos induzidos às mulheres. A autora discorre que o mito da beleza é algo construído socialmente que obriga as mulheres a seguirem um padrão irreal de beleza, com o intuito de se sentirem amadas e valorizadas. Wolf argumenta que a imposição estética se deve ao fato das mulheres terem saído cada vez mais do âmbito doméstico e passaram a entrar no mercado de trabalho. O padrão de feminilidade dos anos 90 em comparação aos dos anos 60 mudaram drasticamente. Ao invés de pureza sexual exigida anteriormente, agora as mulheres são incentivadas a serem sexualmente atraentes para os homens, para assim se sentirem valorizadas e amadas.

Wolf aponta que perseguir o mito da beleza se tornou como uma religião. O corpo gordo é demonizado pela mídia, enquanto o corpo magro leva um status de superioridade moral. A escritora afirma que existem “rituais da beleza” e, caso as mulheres se desviem de tais “ritos” é como se elas estivessem “pecando”, o que as faz sentirem-se inferiores e feias. Tais “ritos” se referem aos cosméticos, dietas, cirurgias e execícios físicos. As mulheres são oprimidas em várias áreas como a de trabalho, cultural, sexual, da fome e da violência. Um exemplo é quando a escritora analisa o fato das âncoras nos jornais sempre estarem com a aparência jovial, enquanto não há essa imposição aos homens sobre permanecer jovem.

O mito da beleza é importante para nossa sociedade capitalista. A jornalista explica que tais ritos da beleza, os quais são normalizados pela sociedade, prometem a felicidade e a satisfação. Wolf defende um futuro onde as mulheres não precisem se encaixar em uma visão masculina de beleza. Contudo, o mito da beleza não é direcionado apenas as mulheres. Mesmo que de forma mais sútil, os homens também são cobrados a ter um corpo ideal. Os ideias de masculinidade estão sempre relacionados a força e dominação, negação completa a feminilidade. Enquanto, o padrão de feminilidade é relacionado a passividade e beleza.

Para desmitificar a beleza é necessário a cobrança da sociedade por mais inclusão em obras midiáticas, de pessoas gordas ou consideradas “feias”. Pois, a arte e a indústria refletem a nossa cultura, portanto é necessário que tenha mais representatividade para que o mito da beleza seja desfeito. Ademais, é necessário que as pessoas procurem estudar sobre as incongruências culturais e refletir sobre elas, para assim rompe-las e alcançar uma sociedade livre de pressões estéticas.