Limites entre estética e saúde
Enviada em 25/08/2020
O século XX foi marcado, dentre diversas guerras, por um avanço monumental do capitalismo. Essa ascensão beneficiou as indústrias voltadas a estética, que agora detêm poder sobre os meios midiáticos. Nesse contexto, padrões de beleza são impostos por esses mecanismos, perpetuando uma psicologia do inconsciente que “impõe” aos indivíduos um modelo de aparência, muitas vezes irreal e não-saudável de se seguir. Observa-se, nesse cenário, consequências à sociedade como o aumento de problemas mentais, principalmente entre os jovens, e também o crescimento de adversidades de saúde relacionadas a busca pelo corpo visto como perfeito.
Cabe pontuar, a princípio, como o aparato da mídia influencia as pessoas e sua relação com o acréscimo de distúrbios mentais. Nesse sentido, a dinâmica de consumo de propaganda no século XXI é diferente de qualquer outro tempo na história, devido a facilidade de se conectar com o consumidor, através de redes sociais e arte — sobretudo a indústria musical e cinematográfica. Dessa maneira, as pessoas são constantemente bombardeadas com o “corpo perfeito” e a aceitação da sociedade à ele, gerando uma necessidade de buscar algo semelhante. Nesse cenário, é comum encontrar frustração devido a quase impossibilidade de atingir os parâmetros exigidos e, essa decepção comumente leva a baixa autoestima e a transtornos como a depressão, esta última já atingindo mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Vale ressaltar, ainda, que a busca pelo modelo considerado ideal ocasiona, muitas vezes, problemas na saúde física do indivíduo. Nesse âmbito, a crescente busca — majoritariamente online e não com profissionais adequados — por dietas radicais e treinamentos exaustivos a fim de perder massa corporal e/ou obter músculos definidos, elaboram um cenário propício ao desenvolvimento de distúrbios alimentares, como a bulimia e a anorexia. No filme “Anorexia - A Ilusão da Beleza” é mostrada uma conjuntura como a citada, onde uma jovem em busca de um protótipo de beleza irreal chega a quase falecer devido as problemáticas desenvolvidas por esta procura.
Em síntese, os limites entre a estética e saúde devem ser bem definidos com o intuito de garantir o bem-estar da sociedade. Portanto, é imperativo que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, torne obrigatória a matéria “Saúde e bem-estar” nas escolas, onde será ensinado aos alunos a respeitar os limites do próprio corpo e como cuidar dele de maneira saudável. Junto à isto, deve haver palestras escolares com os pais dos alunos sobre a aceitação da aparência física e o amor próprio, com o propósito de amenizar a influência das propagandas midiáticas. Assim, haverá uma redução nas problemáticas citadas e a sociedade tornar-se-á mais sadia e plural.