Limites entre estética e saúde
Enviada em 20/08/2020
Desde a ascensão ateniense na Grécia Antiga, houve uma preocupação com o belo estético exemplificado nas artes locais. Porém, esse acontecimento se fez menos distante a partir da Terceira Revolução Industrial, quando a mídia social e televisiva ganha significativa importância ao formalizar padrões de beleza, manipulando o comportamento das pessoas e assim induzindo-as a uma despreocupação com a saúde e a priorização do que é considerado ideal.
Primordialmente, é importante ressaltar que a obsessão pela perfeição é resultado direto do que é apresentado a uma massa ainda muito influenciada por outrem, como jovens, através de exibições excessivas de propagandas exibindo corpos perfeitos ou personalidades famosas sem quaisquer imperfeições faciais. Tal fato corrobora com as ideias do psicólogo Francis Galton ao concluir que o meio no qual o ser é inserido, influencia seus pensamentos e atos. Portanto, se o meio exige tamanha formosura, os persuadidos buscam tê-la mesmo com riscos à sanidade corporal promovidos pela alta invasão dos procedimentos cirúrgicos responsáveis pela obtenção das consequências esperadas garantidoras de mudanças externas.
Ademais, deve-se considerar que o crescimento dos influenciadores digitais colabora para a disseminação dos modelos para serem reproduzidos pelos seguidores desses conteúdos, de forma que é atribuída maior validez quando algo é imposto por esses motivadores, o que facilita a persuasão. Essa conjuntura se relaciona à fala de Douglas Jorge, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, ao dizer que “qualquer mudança que alguém escolha fazer no corpo, é geralmente por influência estética”. Junto a isso, há concordância com a exposição de Platão em O Mito da Caverna, visto que as pessoas olham o mundo com a visão de outras, deixando de seguir suas próprias vontades, conforme o que é discutido na obra.
Por fim, é imprescindível para a resolução do quadro atual, uma reeducação social a partir de campanhas que valorizem a multiplicidade de corpos com a não exaltação de um único modelo dado por ideal, promovidas pela própria mídia. Logo, isso resultará na autoaceitação da massa por reconhecerem sua beleza em veículos de informações comuns e, sobretudo, a garantia do bem-estar dos seres.