Limites entre estética e saúde
Enviada em 24/08/2020
A Vênus de Willendorf é uma escultura de 11,1 cm de altura, considerada como uma idealização da figura feminina de meados do período Paleolítico, apresentando a vulva, os seios e a barriga extremamente volumosos. Na contemporaneidade, é insólito pensar nessa figura como uma representação do padrão de beleza, já que os anos de influencia pornográfica, juntamente com a sexualização extrema de corpos transformou por completo esse ideal estético, este que acarretou como consequência a banalização e realização exagerada de cirurgias plásticas.
Primeiramente, é importante reconhecer que a indústria da pornografia controla o padrão estético vigente, e usa os meios midiáticas para manipular a visão social sobre os corpos. Segundo a escritora Naomi Wolf, em seu livro “O Mito da Beleza: como as imagens de beleza são usadas contras as mulheres”, ela desnuda a forma pornográfica e sadomasoquista que a mídia expõe o corpo feminino, e afirma que esses mecanismos são a base dos ideais de beleza vigentes. Diante disso, fica claro que essa idealização irreal do corpo feminino é o fator chave para a opressão de corpos que fogem desse padrão e é o motor para a busca contínua pela perfeição inalcançável.
Por conseguinte, é observado que esse modelo imposto de beleza acarreta consequências graves para a saúde física e mental dos indíviduos que compõem o corpo social, prova disso é o fenômeno que se presencia atualmente: a trivialização de operações estéticas. De acordo com o cirurgião plástico Fernando Bianco, a necessidade de exibir um corpo perfeito acabou também por banalizar as cirurgias plásticas, e as operações são vendidas como descomplicadas e rápidas. Isto posto, fica evidente que os prejuízos que a idealização dos corpos provoca para a saúde da população são alarmantes, já que a ignorância induz ao aumento dos procedimentos estéticos, como mostra o levantamento feito a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), que revela um aumento internacional de 5,4% nos procedimentos cosméticos realizados em 2018.
Dessarte, a partir dos fatos supracitados, conclui-se que o padrão de beleza ditado pela mídia é destrutivo e deve ser descartado ou adaptado à realidade. Nesse sentido, é mister que o Poder Público deve regulamentar o conteúdo propagandístico, não impedindo a comercialização das mercadorias, mas alertando o cidadão, por meio de propagandas e de programas escolares, sobre os danos que a alienação e a busca de uma beleza artificial inalcançável e insustentável sustentada pela mídia podem originar. Dessa forma, a sociedade se verá livre das amarras que a estética criou, e a saúde poderá voltar a ser prioridade na vida dos seres humanos.