Limites entre estética e saúde
Enviada em 24/08/2020
A música “Mrs Potato Head” da cantora estadunidense Melanie Martinez, narra a trama da busca pera perfeição por meio das cirurgias plásticas. Assim como na canção, milhares de pessoas buscam de diversas formas alcançar o padrão de beleza estabelecido e disseminado pela sociedade. Contudo, é necessário enfatizar que a pressão estética e a busca pela aparência perfeita podem gerar graves consequências. Urge, dessa forma, a necessidade do debate sobre o limite entre saúde e estética.
Vale destacar, primeiramente, que a imagem da perfeição corporal passou a ser disseminada com mais intensidade pela influência das mídias sociais, que corroboram diretamente com a inserção do ideal de beleza construído pela sociedade. Em alusão, a obra a “Sociedade do espetáculo” do filósofo e sociólogo Guy Debord, retrata a realidade social atual, onde as pessoas vivem suas vidas como se estivessem num espetáculo, onde buscam impressionar umas as outras competindo entre si a melhor cena em que estão inseridos, o que faz com que a busca pelo rigor da plenitude estética -importante elemento do espetáculo- aumente gradativamente.
É importante pontuar, secundariamente, que a preocupação pelo ideal de beleza pode trazer graves danos à saúde, como por exemplo a anorexia, um transtorno alimentar causado pela falta de nutrientes necessários para a manutenção do corpo humano, onde principalmente mulheres se privam de refeições para atingir o corpo magro padrão exigido pela sociedade. Segundo a revista Veja, cerca de 77% das jovens de todo mundo tem propensão a distúrbios alimentares. Em síntese, em 2016, uma menina irlandesa de apenas 11 anos, por conta da pressão estética que a rodeava, cometeu suicídio por não aceitar a própria aparência e até chegou a escrever a frase “garotas bonitas não comem” com seu próprio sangue segundo o relato de sua mãe ao jornal The Irish Examiner, o que comprova que a busca pelo padrão de beleza imposto pode provocar até mesmo a morte.
Outrossim, o Ministério da Educação deve promover palestras nas escolas -ministradas por profissionais capacitados- por intermédio de projetos reformadores, no intuito de desmitificar o mito da beleza e priorizar a saúde dos jovens. Por outro lado, as mídias sociais -como instagram e facebook- necessitam, por meio da ação de digitais influencers, mostrar a sua real face, ao deixar de lado o ideal de perfeição sempre mostrado pelos mesmos, com o objetivo de apresentar aos telespectadores a vida real, e não mais a rotina e aparência idealizada por muitos de forma doentia. Só assim a estética e a saúde andarão lado a lado.