Limites entre estética e saúde

Enviada em 25/08/2020

O filosofo iluminista Voltaire afirmava que “É difícil libertar os tolos das amarras que eles veneram”. O pensador francês, ao fazer referência às amarras, fazia uma alusão à falta de conhecimento que era o responsável por roubar a liberdade do ser humano. Analisando o pensamento e relacionando-o a realidade contemporânea, é possível perceber que há um vínculo com os padrões estéticos, que cada vez mais tornam pessoas dispostas a arriscar a própria saúde em procedimentos perigosos em prol do arquétipo promovido pela mídia. Certamente, os jovens, por estarem mais imersos no meio digital, acabam sendo em grande parte expostos ainda muito cedo aos critérios rigorosos de beleza, desse modo, tornando-se suscetíveis a doenças psicológicas ou apelando para procedimentos estéticos.

É importante pontuar, de início, que a exposição às mídias sociais, de modo indiscriminado, pode fazer com que o jovem sinta-se mal consigo e posteriormente desenvolva alguma enfermidade. Prova disso, é o levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas, que apontou que para 41% dos jovens brasileiros, as redes sociais causam sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão. Nesse sentido, a promoção de corpos e padrões de beleza irreais inferem diretamente no cidadão contemporâneo que não sente-se representado em mídias sociais e, por meio da pressão estética inferida pela sociedade, acaba por tornar-se vulnerável psicologicamente, podendo originar uma doença psicológica.

Vale ressaltar, também, que o uso não criterioso de redes sociais pode influenciar jovens a se submeterem a procedimentos arriscados para alcançar o padrão de beleza. Sem dúvidas, isso fica evidente com os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que mostram que nos últimos dez anos houve um aumento de 141% nos procedimentos em jovens de 13 a 18 anos. Nessa perspectiva, percebe-se que cada vez mais os cidadãos brasileiros estão mais vulneráveis pois estão em amplo contato com o meio digital e tem fácil acesso a figuras públicas que contribuem com a reafirmação de estigmas estéticos, e despertam inseguranças acerca da aparência em quem consome, sem nenhum tipo de critério, conteúdos no meio digital.

Portanto, é notório que os parâmetros de beleza podem ser severamente prejudiciais aos indivíduos que tentam alcançá-lo. Em suma, faz-se necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia crie uma campanha acerca do uso seguro de redes sociais, assim, sensibilizando os jovens sobre como absorver o conteúdo consumido, sem que isso os prejudique, deverá ser veiculado na internet levando em conta que dessa maneira, terá maior acesso a seu público alvo. Afim de munir os usuários contra más influências e representações na internet. Somente assim, os cidadãos brasileiros estarão seguros para desfrutar das mídias sociais, sem estarem vulneráveis aos estigmas sociais.