Limites entre estética e saúde

Enviada em 07/09/2020

A partir do aclamado talento do ator britânico Freddie Highmore ganha vida o médico autista Shaun Murphy, personagem do seriado americano “The Good Doctor”. Entre conflitos, o jovem passa a atender uma paciente com infecções advindas de procedimentos plásticos, mas que não quer tratá-las, para manter aquilo que, em sua percepção, é a boa aparência. Situações como essa levam várias pessoas do mundo a óbito e, concomitantemente, afeta, em negativo, o bem-estar físico e mental da população, o que torna cabível a análise sobre os limites entre estética e saúde.

Em primeiro plano, vale ressaltar que muitas circunstâncias contribuíram para a existência do problema descrito, a saber, a Globalização, fenômeno fortemente estudado pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, que estimula o vício tecnológico nas pessoas. Essa utilização exacerbada dos meios de comunicação fomentou nos cidadãos o apego a padrões estéticos específicos, tais como corpo esbelto e bem definido e rosto harmonizado. Nesse contexto, os indivíduos começaram a procurar por soluções para alcançar esses ideais, os quais, inicialmente, elevaram sua auto-estima mas que, depois, transformadas em manias, passaram a prejudicar sua integridade física. Esse entrave, em paralelo, notifica um atraso para o desenvolvimento, uma vez que gera uma sobrecarga nos sistemas de saúde, fato que inibe o atendimento médico para outras pessoas; um absurdo.

Outrossim, além de criar uma barreira para a evolução social, bem como comprometer o bem-estar biológico dos indivíduos, essa dileção por uma beleza estabelecida rebaixa a saúde psicológica de muitas pessoas. Sigmund Freud, grande neurologista conhecido por ser o pai da psicanálise, defendia o amor próprio como fator chave para uma saúde mental equilibrado e, em uma de suas colocações, versou: “Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada.”. O pensamento de Freud não tem sido aplicado na sociedade brasileira, visto que, vidrados nos padrões estéticos comentados, os cidadãos esquecem de suas qualidades físicas naturais, o que as faz não trabalharem a autoconfiança. Nessa perspectiva, o bem-estar psíquico dos habitantes dos demais cantos do mundo fica balançada, o que coloca em risco seu rendimento em atividades como o trabalho e o estudo; uma lástima.

Dessarte, é imprescindível que medidas são necessárias para que fiquem claros os limites entre a estética e a saúde.É, portanto, cabível ao governo promover, por meio do Ministério da Saúde, a implementação de sessões de terapia e preparo psicológico para os interessados em realizar procedimentos embelezadores, com o auxílio de profissionais capacitados, como psicólogos, e esteticistas. Quiçá, tais medidas instigarão a minimização de casos como o da paciente de Shaun, garantindo o bem-estar físico e mental, bem como o desenvolvimento da sociedade.