Limites entre estética e saúde

Enviada em 04/09/2020

Veículos de propagandas divulgam o padrão estético das passarelas de moda como se fosse superior aos outros. Essa concepção é errônea e perigosa, pois a busca por um corpo idealizado faz a população negligenciar a sua saúde - o que causa distúrbios alimentares e pode resultar em morte - anulando os limites entre a estética e a saúde. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde e ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) intervirem.

Em um primeiro momento, é imperativo abordar o papel da mídia nessa temática. Uma pesquisa da Data Popular constatou que, apesar de cinquenta e um por cento da população brasileira se autodeclarar negra, oitenta por cento de toda a publicidade nacional é feita com o uso da imagem de pessoas brancas. Além disso, oitenta e sete por cento dos presentes em tais propagandas são magros, embora o Ministério da Saúde tenha divulgado que metade da população está acima do peso. Desse modo, é evidente que o corpo real - o demonstrado pelas pesquisas - é ocultado, o que distorce a percepção da sociedade que, ao não se ver representada, passa a encarar os corpos retocados pelo photoshop como uma realidade ou uma meta - mesmo que inalcançável.

Sob esse viés, o Brasil é o segundo país no ranking mundial de cirurgias plásticas, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Essa obsessão - influenciada por redes sociais, revistas e televisões - torna os cidadãos vulneráveis a profissionais imprudentes, como o médico Denis Furtado. Conforme o relatado pelo site G1, ele foi responsável pela morte de uma paciente ao realizar uma cirurgia em seu apartamento. A banalização das intervenções cirúrgicas não é o único problema da opressão social da estética, pois a Secretaria de Saúde apontou que a cada dois dias uma pessoa é internada por anorexia ou bulimia. Ou seja, a falta de representatividade do corpo real na mídia também causa prejuízos para a saúde, visto que os brasileiros estão se colocando cada vez mais em risco ao privilegiarem a beleza física em detrimento da saúde pessoal.

Diante do exposto, conclui-se que a ausência do limite entre estética e saúde é consequência da padronização da beleza promovida pela mídia. Para que esse problema acabe, o Ministério da Saúde deve regulamentar as cirurgias estéticas, por meio de protocolos que estabeleçam em quais casos elas poderão ser realizadas, para que o paciente não tenha sua saúde prejudicada por um procedimento desnecessário. Cabe também ao CONAR, fiscalizar as propagandas e instrui-las a respeitar as diversidades físicas da população, para que o aumento da representatividade diminua a opressão do padrão de beleza. Essas medidas garantirão que o limite entre a estética e a saúde seja restabelecido, e que todas as formas de beleza serão reconhecidas e celebradas.