Limites entre estética e saúde

Enviada em 03/09/2020

A canção “Pretty hurts”, da cantora norte-americana Beyoncé, retrata o cruel processo de seleção que as modelos são submetidas ao buscarem a estética “ideal”. De maneira análoga, observa-se que a realidade da melodia muito se assemelha ao Brasil hodierno, visto que vivencia-se, atualmente, uma ditadura da beleza, a qual os indivíduos são submetidos à uma pressão externa para seguirem um corpo padronizado. Dito isto, deve-se analisar não só as causas históricas da aparência supostamente ideal - fomentada pela indústria da moda -, bem como as consequências danosas que a falta de limites entre a estética e a saúde podem acarretar ao bem-estar individual.

Em primeira instância, é fulcral verificar a historiografia global no que concerne à existência de uma aparência regrada. A esse respeito, nota-se que a hegemonia européia, presente desde a Antiguidade Clássica até o final da Segunda Guerra Mundial, muito influencia na estética padrão. Desse modo, a indústria da moda intensifica ainda mais esses esteriótipos europeizados, influenciando diretamente os indivíduos, por meio da mídia, mostrando apenas corpos uniformes e não explorando outras aparências. Logo, os internautas são submetidos à uma gama de propagandas com modelos que regram a beleza e excluem, em muitos casos, a diversidade física de outras culturas. Sendo assim, é de responsabilidade da indústria da moda reverter esse cenário.

Por conseguinte, consequências graves podem ser acarretadas aos indivíduos que abrem mão da saúde por uma estética dita perfeita. Nesse viés, o repercutido Ken humano - brasileiro que realizou diversas cirurgias plásticas a fim de ficar, o mais próximo possível, da perfeição - morreu após esses inúmeros procedimentos, segundo o G1. Dessa maneira, torna-se evidente que a saúde é diretamente afetada pela busca incansável do corpo “ideal”, já que os indivíduos, ao não se encaixarem no padrão estético, tentam, muitas vezes, fazer processos danosos ao seu bem-estar, como, por exemplo, a injeção indiscriminada de óleos nos músculos ou, até mesmo, a rejeição alimentar para não engordarem. Em síntese, é inquestionável as horrendas consequências que o culto demasiado pela beleza causa na vida dos cidadãos contemporâneos.

Destarte, urge que a indústria da moda, em conjunto com as mídias digitais, com vistas em desconstruir a padronização da estética, mostre modelos com diferentes corpos, como, por exemplo, de pele escura, gordos e baixos, por meio de propagandas e publicidades massivas em todas as redes sociais. Ademais, os filmes e as novelas devem, também, expor os corpos supracitados, por meio da protagonização destes nas tramas, com o fito de expor a beleza de outras identidades. Como efeito, reverter-se-á esse quadro e a ditadura da beleza irá, por fim, ser  erradicada.