Limites entre estética e saúde
Enviada em 15/09/2020
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois esse é livre e responsável. No entanto, no Brasil no hodierno percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne a questão do limite entre estética e saúde, uma vez que muitos indivíduos usam dessa liberdade proposta pelo filósofo para fazer escolhas que ariscam a própria vida. Sendo assim, é necessário debater que o tema espelha não só a má influência midiática, mas também a infração de direitos já conquistados.
Convém ressaltar, a princípio, que a mídia incentiva um padrão de beleza inatingível. Sob essa perspectiva, conforme defende o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Assim, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevam o nível de informação sobre os limites da estética faz, justamente, o contrário, visto que ela implementa no inconsciente dos indivíduos uma associação inseparável entre beleza e felicidade, por meio de novelas, filmes e propagandas. Logo, essa valorização exacerbada da beleza faz muitos se arriscarem em procedimentos arriscados para alcançar a tão sonhada felicidade.
Ademais, outro fator que esbarra no impasse é a deturpação da garantia das leis. Nesse sentido, é valido lembrar que a elaboração do artigo 196 da Constituição Federal de 1988, foi baseada no sonho de garantir saúde e bem-estar a todos os brasileiros. Entretanto, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desse direito, visto que muitos indivíduos têm sua integridade física ameaçada por conta de procedimentos cirúrgicos desnecessários. Dessa forma, percebe-se que o país não só contribui para a banalização de procedimentos sérios, mas também deturpa a Carta Magna da nação.
Portanto, com o objetivo de fazer valer a Constituição e proteger a saúde de todos, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, faça companhas informativas, por meio de canais de televisão e internet. Para tal, essas devem conter dados e a participação de profissionais influentes, como o médico Dráuzio Varella, para mostrar ao social a necessidade da desconstrução desses padrões de beleza inatingíveis, essas podem ter a participação de pessoas que já sofreram com cirurgias estéticas desnecessárias, a fim de gerar empatia e comoção. Somente assim, o Brasil terá pessoas que ajam de forma responsável perante suas ações conforme defende Sartre.