Limites entre estética e saúde

Enviada em 17/09/2020

No contexto contemporâneo- marcado pela apreciação excessiva da autoimagem- o debate acerca dos limites entre estética e saúde apresenta-se como uma questão a ser percebida na conjuntura social. De um lado, o crescente desejo individual por intervenções que modificam aspectos físicos é reflexo dos padrões de beleza impostos pelas mídias. Do outro, a realização de  procedimentos exacerbados e invasivos , por muitas vezes, coloca em xeque a qualidade de vida das pessoas.

Primeiramente, é importante ressaltar que o aumento na busca por operações cirúrgicas, unicamente por questões estéticas, é uma consequência da hiper valorização de padrões específicos pelas mídias sociais. Nesse ínterim, imersos em uma realidade de" filtros e photoshops", os indivíduos urgem em alcançar o que , no senso comum, é considerado o retrato ideal. Sob esse viés, a historiadora Denise Bernuzzi defende que, atualmente, a liberdade sobre o corpo masculino e , principalmente, feminino está sempre associada ao dever de ser belo. Dessa forma, torna-se claro o impacto dos meios de comunicação e de interação na esfera estética.

Ademais, a execução de procedimentos exacerbados e invasivos sem a devida cautela pode comprometer não só o bem estar dos que se submetem a tais, como também é capaz de colocar em risco a vida de pessoas. Em consonância a tal pensamento, é possível citar exemplos como o caso do médico conhecido como “Dr. Bumbum” que causou o óbito de uma paciente após aplicar, ilegalmente, silicone industrial em seu corpo. Nessa ótica, prova-se que a realização indevida de intervenções estéticas possui graves efeitos na saúde dos indivíduos.

Portanto, ações interventivas devem ser concretizadas a fim de solucionar os debates referentes aos limites entre estética e saúde. Para tanto, é preciso a atuação da Mídia- principal fomentadora de opiniões- promovendo medidas capazes de erradicar a lógica de imposição de padrões de beleza. Isso se dará por meio de propagandas e anúncios que incentivem a valorização da diversidade de identidades corporais e faciais tanto pela sociedade quanto por empresas do setor de estética. Associado a isso, faz-se necessário que o Estado, através do Ministério da Saúde, estabeleça rígidos protocolos de fiscalização na atividade de profissionais que fazem , indevidamente, procedimentos cirúrgicos. Com isso feito, estabelecer-se-á os limites entre estética e saúde no contexto contemporâneo.