Limites entre estética e saúde

Enviada em 14/10/2020

De acordo com uma pesquisa divulgada pela ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica), em 2018 o Brasil foi o país que mais realizou procedimentos estéticos no mundo. Nesse prisma, é de suma importância a discussão sobre os limites entre estética e saúde quanto aos padrões de beleza impostos pela mídia e os problemas psicológicos acarretados.

Inicialmente, é importante reconhecer os padrões estéticos que são impostos pela mídia. Isso é explicado pelo conceito de indústria cultural, proposto pelos sociólogos Adorno e Horkheimer, em que os meios de comunicação (revistas, filmes, televisão, e redes sociais) buscam homogeneizar os corpos por meio da influência que exercem sob a população. Consequentemente, há a banalização dos procedimentos de cirurgia plástica no qual, pela busca de um corpo perfeito, as pessoas põem suas vidas em risco em procedimentos perigosos como por exemplo a cirurgia de retirada das costelas flutuantes.

Outrossim, é válido ressaltar os problemas psicológicos que esses padrões podem causar. Assim como no livro " A História da Loucura da Idade Clássica", do filósofo Michel Foucault, os loucos são rejeitados pela população, atualmente, de forma análoga, as pessoas fora dos modelos estéticos aceitáveis sofrem uma tendência de exclusão social. Por conseguinte, pelo medo de não estar dentro dos padrões, muitos indivíduos desenvolvem transtornos de imagem como a anorexia, na qual o indivíduo, mesmo estando extremamente magro (ao ponto dos ossos ficarem aparentes), se vê gordo no espelho.

Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para evitar os exageros em nome da estética. Dessa forma, urge ao Governo Federal, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a mídia, o dever de estimular a diversidade dos corpos na sociedade brasileira. Logo, essa ação pode ser feita por meio de propagandas, desenvolvida com profissionais de psicologia e de marketing, veiculadas nas redes de televisão, revistas e mídias sociais contra a hegemonia dos corpos ditos “perfeitos”, estimulando o respeito e exaltando outras formas de corpos (gordos, magros, altos ou baixos) que são vistos como “feios”. Desse modo, o intuito disso é fazer com que as pessoas coloquem sua saúde em primeiro lugar antes da estética e não sejam excluídos por não se encaixarem nos modelos de beleza disseminados, tornando menos frequente os casos de transtornos de imagem.