Limites entre estética e saúde

Enviada em 16/10/2020

A busca pela perfeição e beleza não é algo recente do homem, pelo contrário, ela remonta à Antiguidade Clássica, tendo sido uma característica marcante dos povos helênicos. Todavia, mais de dois mil anos se passaram e ainda se encontra civilizações, como é o caso da brasileira, que valoriza demasiadamente a estética corporal, onde para se alcançar a concepção subjetiva do belo é válido, por influência negativa da mídia, o sacrifício da própria saúde.

Sabe-se que a imprensa, embora contribua ativamente para a construção de uma sociedade mais democrática, é responsável por despertar a insatisfação pessoal com o próprio corpo nos cidadãos, como efeito colateral. Isso porque, apesar de promover a informação e ajudar no processo de formação de opinião pública, por outro lado, ela exerce uma pressão midiática na população, ao propagar padrões de beleza, através de suas diversas manifestações, os quais, inevitavelmente, excluem uma ampla parcela de fenótipos sociais num país marcado por um histórico de intensa miscigenação étnica. Com isso, indivíduos que não se enquadram na restrita e homogênea concepção de beleza momentânea, acabam sendo marginalizados, o que pode interferir nitidamente em suas autoestimas. Por conseguinte, cabe ressaltar que a busca por autoestima e pertencimento social tem se tornado uma constante em território nacional, mas que, por sua vez, tem levado pessoas a cometerem atos imprudentes, tais como a utilização de anabolizantes. A esse respeito, deve-se pautar que, por se tratar de substâncias que alteram a composição hormonal de organismos, a utilização de anabolizantes requer o acompanhamento de um endocrinologista, especialidade médica que trata desse assunto. Entretanto, haja vista ser mais custoso as consultas com esse especialista, muitos acabam aplicando esses produtos inadequadamente, o que os coloca seriamente em risco. E para agravar ainda essa situação, em virtude de uma precária fiscalização governamental, essas drogas acabam sendo bastante acessíveis, o que favorece seu consumo.

Destarte, observa-se que é fundamental se definir um limite entre estética e saúde no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde intensifique a fiscalização do comércio clandestino de anabolizantes, por meio da criação de um portal de denúncias anônimas que permita a identificação de distribuidores ilegais, para que dessa maneira, seja possível punir os envolvidos com mais eficácia e desestimular o consumo sem receita médica. Outrossim, cabe a pasta da cultura, a nível federal, a conscientização da população, através de campanhas publicitárias veiculadas no “YouTube”, acerca da essência subjetiva e relativa do belo e do perfeito, buscando a valorização da diversidade, sobretudo numa nação extremamente miscigenada e pluralista como é a brasileira.