Limites entre estética e saúde

Enviada em 21/10/2020

Apesar de algumas vezes não ser perceptível, a sociedade delimita padrões. Como citado pelo filósofo francês, Jean-Jacques Rousseau, “o homem nasceu livre e em toda parte se encontra acorrentado”. Tal pensamento pode ser claramente observado nos paradigmas de beleza delimitados pela população. Afirmação essa que se torna tema de diversas inseguranças por parte de indivíduos que não se encontram dentro de tais padrões. O que acarreta no desenvolvimento de distúrbios como o transtorno dismórfico corporal (TDC).

O TDC consiste em uma preocupação exacerbada e fora do normal com a aparência que faz com que a pessoa sinta enorme tristeza consigo mesma. O distúrbio pode causar ansiedade, depressão e em alguns casos mais graves resultar no suicídio. Apesar de ser um transtorno curável, poucas pessoas tem conhecimento da doença, também chamada de dismorfobia. Segundo um estudo publicado pela Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, o TDC acomete em cerca de 12,5% das pessoas que fazem cirurgia de caráter unicamente estético. Destes, a maioria é do gênero feminino (75,7%), como a ex-modelo Alicia Douvall que alega ter gasto mais de US$ 1,5 milhão em tratamentos estéticos.

Como mencionado anteriormente, o desconforto com o próprio corpo é fruto da ideia imposta pela sociedade de “corpo ideal”. Com o passar dos anos, foram criadas diversas técnicas e maneiras de alcançar este padrão, ajudando pessoas a aumentar a autoestima. Contudo, em decorrência da utilização de métodos mais baratos e pouco confiáveis, o abuso de tratamentos artificiais pode acarretar em deformações no corpo ou problemas de saúde. Por isso mudanças na aparência devem ser estudadas de forma consciente, de maneira que os riscos não sejam maiores que os benefícios, assim evitando problemas futuros.

Para combater os problemas levantados, o governo deve implantar programas em escolas e faculdades com foco psicológico, a fim de diminuir os transtornos de caráter estético desde jovens, por meio de palestras e acompanhamento profissional, dessa forma haverá menores taxas de baixa autoestima. Outro fator que deve colaborar com a diminuição das problemáticas, é o aumento da vigilância sanitária em torno de clínicas clandestinas para evitar problemas de saúde em pacientes que se submetem a cirurgias e tratamentos plásticos, tornando tais cirurgias mais seguras.