Limites entre estética e saúde
Enviada em 06/11/2020
As costelas foram as partes do corpo que Débora, entrevistada pelo programa jornalístico Domingo Espetacular, retirou a fim de aparentar-se mais magra para o recebimento de um prêmio de Miss São Paulo em 2015. Além disso, a modelo revelou que já efetuou mais de 20 procedimentos estéticos. Percebe-se, neste contexto, que algumas pessoas são capazes de arriscar suas próprias vidas em nome de uma bela aparência. Delibera-se, por conseguinte, a respeito dos vícios estéticos, seus perigos e como suprimi-los.
Em primeiro lugar, é relevante a ciência de que é inútil e perigosa a realização de demasiadas operações estéticas, uma vez que a mentalidade das pessoas que as realizam esteja sempre insatisfeita com suas reflexões nos espelhos. Como exemplo, cita-se a cantora Gretchen, de 61 anos, a qual afirma que não consegue se recordar de quantas cirurgias plásticas já realizou e, ademais, pretende efetuar outras futuramente. A realidade em questão assemelha-se a de muitos outros brasileiros, afinal o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, conforme a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Em outras palavras, uma pessoa que não consegue aceitar o próprio físico possui tendências de solucionar, frequentemente, os defeitos que enxerga externamente, posto que esses encontram-se internamente na saúde mental.
Em segundo plano, é válido ressaltar que os procedimentos estéticos, se realizados com negligência, ou se o paciente possuir idade avançada ou apresentar sintomas que tragam riscos à operação, podem facilmente terminar com sequelas graves. Para exemplo, observa-se o histórico do cantor Marcus Menna, o qual obteve uma parada cardiorrespiratória durante a realização de uma lipoaspiração no abdômen e entrou em coma durante dois meses. Paralelamente ao caso de Marcus, a vaidade possibilitadora de problemas mortais é uma característica da população mundial, dado que foi comprovado por um documentário da British Broadcasting Corporation (BBC), a qual afirma que mais de meio milhão de procedimentos estéticos ocorreram em 2019 no Reino Unido.
Em síntese, é imprescindível que haja conscientização plena da população sobre a relatividade enorme do conceito de beleza: uma vez que o psicológico de um indivíduo aceita o que lhe é mostrado ao se refletir no espelho, não há cirurgia alguma que o convença de efetuá-la. Desse modo, é dever da Secretaria da Cultura de proceder, através de palestras públicas, propagandas televisivas e cartazes de rua, debates acerca da necessidade da procura psicológica para pessoas que não conseguem aprovar suas próprias aparências e alertá-las dos perigos de um procedimento estético. A proposta possui finalidade de evitar a perda de uma vida saudável, assim como ocorreu com Débora e Marcus.