Limites entre estética e saúde

Enviada em 28/10/2020

Thomas More, através do livro “Utopia”, narra a realidade de uma ilha fictícia onde não havia qualquer tipo de problema e beirava a perfeição. Hodiernamente, o Brasil se encontra díspar à idealização de More, principalmente quanto à demasiada transgressão do limite de procedimentos estéticos. Destarte, faz-se necessário analisar tanto o abuso da aplicabilidade econômica do mercado da beleza, quanto a normalização da cobrança de um padrão estético como fatores que rodeiam esse cenário nefasto.

A princípio, cabe salientar o interesse capitalista em incentivar o uso de procedimentos e produtos de beleza para atrair cada vez mais consumidores. Essa ideia faz analogia ao pensamento de Karl Marx, o qual infere que o capitalismo prioriza o lucro em detrimento dos valores. Assim sendo, pode-se compreender a necessidade do mercado em estimular cada vez mais o o uso de intervenções estéticas em prol do lucro, sem considerar as demasiadas consequências.

Outrossim, faz-se necessário examinar que a imposição do padrão de beleza já é habitual e corriqueira, banalizando essa atitude perante a sociedade. A partir dessa conjuntura, pode-se fazer analogia ao pensamento de Durkheim, o qual considera um fenômeno normal aquele com frequência e que não causa mais estranhamento à coletividade. Logo, deve-se trazer à luz ao pensamento crítico de que já é banal a pressão acerca de atingir um tipo ideal de beleza.

Urge, portanto, necessidade de mudança desse cenário nefasto. Para atingir a plenitude nesse âmbito, cabe ao Estado, através do poder legislativo, elaborar uma lei que configure um limite quanto a propagandas que incentivem o uso de produtos e procedimentos estéticos, para que os indivíduos não sejam motivados a encarar atitudes desnecessárias quanto ao corpo. Quem sabe assim, o Brasil possa se assemelhar cada vez mais com a idealização de More.