Limites entre estética e saúde
Enviada em 03/11/2020
O período das Grandes Navegações, foi marcado pela imposição da cultura europeia as colônias conquistadas, ou seja, a criação do padrão eurocêntrico desde costumes e tradições até com modelos de beleza. Tais padrões estéticos foram implantados juntamente com noção de tentar modificar o que é considerado feio em bonito por meio das cirurgias e medicamentos. Entretanto, tal indústria, visando o lucro, não estabelece um limite entre os procedimentos e a saúde do paciente, assim, as pessoas são expostas a risco, em alguns casos, sem necessidade. Além disso, a cultura hodierna concomitante ao individualismo do capitalismo prejudicam, ainda mais, o bem-estar dos citadinos.
Dessa forma, os comportamentos sociais associados aos padrões de beleza geram uma facilidade na naturalização de procedimentos estéticos. Isso ocorre porque a sociedade irá afirmar, por meio midiáticos ou até mesmo informais, o que é considerado bonito e como quem entra nesse critério deve ser enaltecido. Deste modo, as pessoas que se enxergam fora dessa padronização podem tentar, por vários meios da indústria da beleza, mudar sua fisionomia para serem aceitos pela sociedade. Sob essa perspectiva, a teoria do fato social, do sociólogo francês Émille Durkheim, comprova essa ideia, visto que isso são regras exteriores, coercitivas e generalizadas estipuladas pela comunidade que obrigam todos a seguirem a qualquer custo para não ser excluídos do ambiente coletivo.
Ademais, é perceptível que a busca por atender um padrão associada ao sistema econômico alicerçam a questão entre saúde e beleza. Esse fato é baseado na ideia de que os procedimentos estéticos, normalmente, é caro - o que pode chamar atenção de profissionais os quais colocam a vida dos outros em risco pelo lucro. Consequentemente a essa visão, surgem as clínicas clandestinas e os doutores sem formação que submetem os pacientes a uma cirurgia sem segurança pelo dinheiro envolvido no processo. Essa realidade pode ser ilustrada na obra Narciso, do pintor italiano Caravaggio, no qual é um homem que admira sua própria imagem se vendo como o mais importante igualmente aos médicos supracitados ao não alertar sobre as cirurgias excessivas por benefício próprio no processo.
Diante o exposto, urge a necessidade de modificar essa realidade social que impõem padrões e ações individuais que levam a morte. Na questão social, é evidente que o Ministério da Educação, por meio de um decreto, idealize um plano de incentivo aos estudos da sociedade para que assim, desde jovem, a população entenda que o dito belo não necessita ser seguido. Outrossim, o Ministério da Saúde deve criar parcerias com emissoras de televisão para que alertem sobre o perigo das cirurgias excessivas em suas novelas, para alcançar maior público, além de supervisionar melhor os alvarás de funcionamento das clínicas de beleza. Com essas atitudes, a imposição colonial vai se desfazendo.