Limites entre estética e saúde
Enviada em 09/11/2020
Em meados do século V a.C., na Grécia, a figura masculina era o exemplo mais claro do corpo ideal, na qual, para eles, possuir essa estatura era tão respeitável quanto possuir uma mente inteligente. Nesse sentido, pode-se dizer que essa valorização pelo belo ainda persiste na sociedade mundial, principalmente, na brasileira, em que a preocupação em possuir o modelo de estrutura física “perfeita” se sobrepôs à importância do limite entre a estética e a saúde. Nessa perspectiva, apesar de existe no Brasil o enaltecimento do corpo natural, tem-se um contexto análogo a essa situação: ainda há a persistência da mídia televisiva na divulgação desse estereótipo e o desenvolvimento acelerado de consequências da padronização da beleza.
A princípio, é importante destacar, que a mídia contribui para a continuação desse quadro. A série televisiva estadunidense “Insastiable” apresenta a história de Patty, uma jovem que emagreceu após ficar com a mandíbula paralisada, devido a isso, a personagem consegue entrar na cultura do corpo “perfeito”. Ao longo do seriado, é mostrado que após a protagonista perder peso, ela se transforma em uma garota popular e, além disso, consegue adentrar em vários concursos de beleza. Nessa perspectiva, pode-se dizer que a mídia televisiva, como uma das principais formadoras de opinião, propaga, indevidamente, esse estereótipo de estatura física e, além disso, a persistência de que o aceitamento e beleza estão atreladas ao ideal do corpo.
Ademais, é válido ressaltar que, quando se ultrapassa o limite entre a estética e a saúde há consequências inimagináveis. Nesse sentido, pode-se citar o caso da apresentadora e modelo Andressa Urach, que em 2014, teve que ser hospitalizada, em estado grave, devido a uma infecção de hidrogel, um tipo de silicone que engrossa o local aplicado, que foi injetado nas coxas. Com isso, percebe-se que a busca excessiva da padronização do corpo tem colocado a vida e a saúde das pessoas em risco, pelo simples fato de tentarem se encaixar nesse perverso sistema, na qual assume a responsabilidade de manipular aqueles que o seguem.
Em vista disso, medidas devem ser tomadas para superar esses desafios. Primeiro, é necessário que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que possuem o objetivo de alertar a população sobre os perigos da busca incessante do corpo perfeito e, além disso, abordarem sobre a importância do acompanhamento médico para qualquer medida estética. Ademais, as mídias televisivas devem realizar uma autorregulação, com o objetivo de interromper a propagação da cultura padronizada para que, a longo prazo, aborde sobre o respeito e a importância do corpo natural. Dessa forma, será possível romper esses paradigmas no país.