Limites entre estética e saúde

Enviada em 05/11/2020

Bauman,grande sociólogo polonês,aponta para uma verdade incontestável de que,em contraponto à perda das bases sólidas presentes nas sociedades anteriores,a liquidez das relações é a marca da contemporaneidade.Sob essa ótica,nota-se o catalisador superficial de diversas problemáticas urgidas,sobretudo no que tange às dificuldades da estética ir,totalmente,ao encontro da saúde,seja pela instauração de uma ditadura da beleza,seja pelo ferimento da vitalidade.

Em primeira análise,faz-se importante destacar que,em uma conjuntura carente de pensamentos e convicções próprios,urge facilidades,em decorrência das fragilidades morais,para a propagação de ideologias e modelos universais.Dessarte,insere-se padrões estéticos globais que,uma vez impulsionados pelas plataformas midiáticas,geram o estabelecimento  de preceitos que buscam uma perfeição inalcançável,principalmente no que se refere ao padrão corporal eurocêntrico,e causam a incessante procura por procedimentos que aproximam-se dos modelos amplamente divulgados.Ademais,percebe-se a atuação de tais fenômenos nas mais diversas parcelas sociais,como na boneca “Barbie”,brinquedo de cunho infantil idealizado pelo conceito de beleza ocidental,que,se fosse uma mulher,pelas proporções do matemático Lamm,não seria capaz de sobreviver pela cintura e porcentagem de gordura diminutas.

Consequentemente,em uma nação permeada por valores frívolos,surgem imbróglios relacionados ao bem-estar com os transtornos de autoimagem,nos quais o indivíduo enxerga-se com os filtros dos padrões culturais inatingíveis,representados pela bulimia e anorexia,causando um déficit ainda maior no sistema público.Outrossim,conhece-se a depressão e o afastamento social como efeitos secundários do esteticismo exacerbado,hava vista que,de acordo com a Organização Mundial da Saúde,caracteriza-se como saudável o cidadão que apresenta completa e duradoura saúde física,psicológica e social;definindo-se,desse modo,pessoas adoentadas gravemente por diretrizes marcadas pelo idealismo visual.Além do que,uma vez preso no sistema de dominação de massas,abre-se mão da qualidade de vida em favor do sacríficio para conseguir um corpo ideal.

Portanto,o Governo Federal,por intermédio do Ministério da Saúde,com o fito de minimizar os aspectos negativos da falsa semelhança entre estética e saúde,deve divulgar,em horário nobre de televisão,o número de vítimas da incessante busca por métodos e cirurgias diferenciadas sem necessidade,por meio de políticas públicas e parcerias com ONG´s de atendimento à população que sofre com distúrbios alimentares,subsidiando empresas midiáticas na produção de conteúdos que valorizem a multipolaridade dos diversos tipos de beleza existentes.