Limites entre estética e saúde
Enviada em 11/11/2020
O período das Grandes Navegações foi marcado pela imposição da cultura europeia as colônias conquistadas, ou seja, a criação do padrão eurocêntrico desde costumes até modelos de beleza. Tais padrões estéticos foram aprimorando e, hodiernamente, estão implantados unidos a noção de modificar o que é considerado feio em bonito por meio de cirurgias e medicamentos. Entretanto, esse novo setor, visando o lucro, não estabelece um limite entre os procedimentos e a saúde do paciente, assim, as pessoas são expostas ao risco, em alguns casos, sem necessidade. Além disso, a cultura contemporânea concomitante ao individualismo do capitalismo prejudica, ainda mais, o bem-estar.
Dessa forma, os comportamentos sociais associados aos padrões de beleza geram uma facilidade na naturalização de procedimentos estéticos. Isso ocorre porque a sociedade irá afirmar, por meio midiáticos ou até mesmo informais, o que é considerado bonito e como quem entra nesse critério deve ser enaltecido. Deste modo, as pessoas que se enxergam fora dessa padronização podem tentar, por vários meios da indústria da beleza, mudar sua fisionomia para serem aceitos pela sociedade. Sob essa perspectiva, a teoria do fato social, do sociólogo francês Émille Durkheim, comprova essa ideia, visto que isso são regras exteriores, coercitivas e generalizadas estipuladas pela comunidade que obrigam todos a seguirem, a qualquer custo, para não serem excluídos do ambiente coletivo.
Ademais, é perceptível que a busca por atender um padrão associada ao sistema econômico alicerçam a questão entre saúde e beleza. Esse fato é baseado na ideia de que os procedimentos estéticos, normalmente, são caros - o que pode chamar atenção de profissionais os quais colocam a vida dos outros em risco pelo lucro. Consequentemente a essa visão, surgem às clínicas clandestinas e os doutores sem formação que submetem os pacientes a uma cirurgia sem segurança pelo dinheiro envolvido no processo. Essa realidade pode ser ilustrada na obra Narciso, do pintor italiano Caravaggio, no qual é um homem que admira sua própria imagem se vendo como o mais importante igualmente aos médicos supracitados ao não alertarem sobre as cirurgias excessivas por benefício próprio
Diante o exposto, urge a necessidade de modificar essa realidade que impõem padrões e ações individuais que levam a morte. Na questão social, é evidente que o Ministério da Educação, por meio de um decreto, idealize um plano de incentivo aos estudos da sociedade para que assim, desde jovem, a população entenda que o dito belo é uma opinião pessoal e não regra. Outrossim, o Ministério da Saúde deve fiscalizar, com aparatos e funcionários técnicos, os alvarás de funcionamento das clínicas de estética. Além disso, criar parcerias com emissoras de televisão para alertar, em suas novelas, sobre o perigo das cirurgias excessivas. Com essas atitudes, o equilíbrio entre saúde e beleza é definido.