Limites entre estética e saúde

Enviada em 25/12/2020

Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas sociais, alegando vivermos em um mundo baseado na irresponsabilidade, seja no campo político, seja na área social. Nesse contexto, ela aponta para a fragilidade do sistema público de educação no combate à idealização do corpo perfeito, a qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à conscientização, promove a exclusão social. Assim, é necessário impulsionar uma maior reflexão sobre os desafios enfrentados para solucionar essa problemática.

A princípio, Mário de Andrade, importante poeta modernista, alegava que o histórico mundial deve ser utilizado como mecanismo de reflexão e de aprendizagem, com vistas a permitir que a população evolua de maneira distinta ao passado. Esse pensamento pode ser utilizado para se referir ao contexto do American Way Of Life (Estilo de vida americano), quando a sociedade, predominantemente industrial, disseminava a ideia de que o corpo feminino deveria ser aprimorado por via cirúrgica, a fim de obter alto grau de embelezamento independente dos riscos à saúde. Tendo em vista tais fatores, hoje, observa-se a construção de uma cultura que banaliza os procedimentos estéticos e discrimina o indivíduo que recusa a se adequar ao modelo de corpo ideal estabelecido socialmente.

Além disso, é evidente que a influência do ensino no cultivo de uma ótica social mais consciente em relação a estética estabelece a base para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária e menos discriminatória. Contudo, a ausência de investimentos pelo Ministério da Educação em palestras e em gincanas escolares, ambos capazes de alertar a população sobre a importância de debater sobre a padronização do corpo feminino, contribui para o desconhecimento sobre os riscos do procedimento estético no organismo humano. Por exemplo, a Gastroplastia, cirurgia popularmente conhecida como Redução do Estômago, é utilizada para reduzir a superfície de contato entre o órgão digestório e o alimento, favorecendo para o emagrecimento da pessoa e, consequentemente, a carência de nutrientes vitais para a sobrevivência humana.

Depreende-se, portanto, que ações contra a idealização do corpo perfeito devem ser inicialmente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, deve investir em propagandas de educação social para estimular uma mudança comportamental do indivíduo sobre a estética. Isso ocorrerá por intermédio da disponibilização de locais e horários para o surgimento dos ‘‘mutirões da conscientização’’, os quais baseam-se em eventos para alunos e comunidade, com o objetivo de diminuir a banalização dos procedimentos estéticos. Dessa forma, buscamos construir um mundo com menos irresponsabilidade humana, cujo local Mafalda pudesse elogiar.