Limites entre estética e saúde
Enviada em 15/11/2020
Desde a Grécia antiga, os padrões de perfeição estética eram considerados sinônimos de saúde. Em vista disso, era priorizado o bem-estar físico, proporcionado pelo esteriótipo perfeito, para um conseguinte enquadramento na sociedade daquele período. Não distante da realidade hodierna, é perceptível que, com a ampla atuação midiática na propagação de um ideário de perfeição, aliada à um aumento expressivo no número de procedimentos estéticos, o cenário presente na civilização grega do século XII, ainda vigora no século XXI. Assim, impera-se que tal problemática seja discutida, combatida e solucionada para um idôneo desenvolvimento social.
Em primeira análise, desde a Terceira Revolução Industrial, com o advento da internet como força motriz, os meios de comunicação tornaram-se a base de uma sociedade interligada. Nesse cenário, cada vez mais a internet - especificamente as redes sociais - tornou-se uma grande fonte de influência e ditadora de padrões. Nessa perspectiva, seguindo a linha contínua do sociólogo Jean Baudrillard com o conceito de Sociedade do Espetáculo, vive-se hoje uma espetacularização da realidade, a qual tudo é transformado em imagens, sendo essas e o ideário da perfeição proporcionado por elas, a mola propulsora para comparações e o desencadeamento da insatisfação com o próprio corpo. Logo, percebe-se que a poder abarcativo da mídia cobre a sociedade com o manto da influência.
Por conseguinte, presencia-se um expressivo aumento pela busca do corpo perfeito e o devido enquadramento nos ditames sociais. Nesse sentido, parafraseando Byung Chul Han, filósofo sul-coreano, a sociedade atual é movida pelo desempenho e está em constante busca pela perfeição. Partindo da visão filosófica para o contexto atual, de fato, com um aumento de mais de 300% na realização de procedimentos estéticos, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), muitas vezes sem precisão, evidencia a ultrapassagem dos limites entre estética e saúde em decorrência da “ditadura da beleza” imposta hodiernamente. Desse modo consciência e saúde mais que palavras, são necessidades atuais.
Infere-se, portanto, um plano de ação concreto e solidificado para solucionar o algoz da problemática em questão. Isto posto, urge que o Ministério da Educação proporcione a devida atenção acerca do assunto, realizando campanhas informativas, utilizando a mídia para um amplo alcance social, que evidenciará os prejuízos da realização de procedimentos estéticos sem a devida necessidade e, aliado a isso, uma ampla publicação de pôsteres impulsionando a aceitação de si, com o fito de diminuir o número de processos estéticos na sociedade mundial. Somente assim, o ideário de perfeição propagado desde a Grécia Antiga, chegará ao fim.