Limites entre estética e saúde

Enviada em 26/11/2020

Andressa Urach ficou famosa na mídia depois de ser levada em estado crítico ao hospital após uma prótese de silicone ter estourado e inflamado suas coxas. Infelizmente, esse caso não é isolado, sendo bastante comum muitas pessoas arriscarem a própria saúde para que possam alcançar padrões estéticos. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas à pressão midiática, promovendo consequências sanitárias.

Mormente, é evidente que o principal fator desse problema encontra-se atrelado à coerção midiática. Nesse sentido, é visível que os veículos de comunicação cultuam apenas um tipo de corpo, cujo padrão é simultaneamente magro, esbelto e alto, o que é exemplificado nos modelos das revistas e nos protagonistas de novelas e filmes, os quais são, evidentemente, pessoas que seguem o modelo de beleza supracitado. Dessa forma, a mídia passa a definir o que é o bonito e o que é o feio, criando no psicológico das pessoas um parâmetro para que elas possam julgar se estão próximas ou não do paradigma criado. Isso, ironicamente, já foi previsto pelo filósofo Aristóteles há milênios atrás, em sua famosa frase “a vida imita a arte” e, na contemporaneidade, a corpolatria é oriunda, justamente, dos padrões estéticos criados pela mídia.

Consequentemente, a busca pelo corpo ideal causa danos ao organismo, podendo causar doenças e até o óbito. Nessa conjuntura, o processo de alterações físicas é bastante agressivo, haja vista que o uso de medicamentos e até mesmo de cirurgias comprometem a homeostase corporal, o que pode acarretar no surgimento de doenças físicas e psíquicas. A exemplo disso, o caso noticiado pelo Portal de Notícias G1, no qual uma moça desenvolveu um câncer cutâneo após o botóx, substância extremamente cancerígena, ter vazado. Tristemente, enquanto a mídia continuar a sustentar o modelo único de beleza, continuar-se-á a existir pessoas que se submeterão a riscos para alcançar um paradigma, muitas vezes, intangível.

Urge, portanto, uma solução definitiva para essa problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, instituição a qual possui grande poder de influência, criar burocracias médicas e farmacêuticas para evitar que pessoas submetam-se inconsequemente a cirurgias ou fármacos, mediante a inserção obrigatória de um psiquiatra, o qual deve, por meio de uma entrevista e testes médicos, averiguar e apresentar todos os riscos sanitários que a intervenção médica pode causar no corpo e só autorizar a cirurgia àqueles que o profissional julgar que são preparados, a fim de evitar danos no corpo. Assim, espera-se que impondo limites entre a saúde e a estética, casos como o da Andressa Urach sejam evitados, indo a favor de uma sociedade mais acolhedora e tolerante.