Limites entre estética e saúde
Enviada em 30/11/2020
Na música “pretty hurts " da cantora norte-americana Beyoncé, o tema de que não há beleza sem dor é trazido a tona tanto na composição quanto no videoclipe produzido. Na produção audiovisual é retratada a história de uma concorrente de concursos de miss, a qual está explicitamente infeliz por não se encaixar nos padrões impostos pela sociedade e por acreditar que apenas a aparência é válida. Fora dos limites ficcionais a exigência de se adequar à uma estética padronizada imposta pelos grupos sociais e a valorização apenas da parte física, causam a ruptura dos limites considerados saudáveis para a busca de uma auto aceitação.
A priori, é necessário ressaltar que a insatisfação com alguma parte do corpo é normal, porém deve-se levantar o questionamento de que se esse desejo de mudança é influenciado ou não por uma pressão imposta pela população, disseminada nas falas, programas de televisão e principalmente nas redes sociais. O Brasil hoje é o líder mundial de cirurgias plásticas, sendo nos últimos 10 anos- quantidade de anos que o Instagram foi lançado- a maior justificativa da procura desses procedimentos ser a vontade de aparentar melhor em “selfies”. Torna-se portanto, evidente o poder que as mídias sociais exercem nos indivíduos contemporâneos e a necessidade de uma mudança.
Em segundo lugar, é notório que os diversos preconceitos existentes, principalmente o machismo, ditam que a aparência é o único atributo válido em uma mulher por exemplo. O filósofo e sociólogo Émile Durkheim criou o conceito de fator social, tal ideia consiste basicamente na análise de que as experiências e esferas sociais moldam os hábitos e pensamentos do ser Humano, logo percebe-se que a persistência da narrativa de desvalorização do intelecto e habilidades gera como consequência o conflito na população de não admirar nada além do físico. Assim é apresentada uma problemática que precisa de solução.
Dessa forma, a partir das informações expostas, fica evidente a necessidade de intervenção, portanto cabe ao Ministério da Comunicação, com principal órgão regulamentador dos meios de telecomunicação, regulamentar as propagandas expostas de forma que junto ao Poder Legislativo crie políticas públicas para cobrar a demonstração de diversidade, logo mostrando mais representatividade e criando nos cidadãos a possibilidade de se reconhecerem nos meios midiáticos. Também cabe ao Governo Federal criar programas que incentivem, principalmente as mulheres, a desenvolverem suas capacidades intelectuais a fim de evidenciar que existem outros atributos mais importantes do que a beleza. Tais medidas devem ser tomadas, para que a busca pela estética que lhe agrada seja saudável e não ultrapasse limites.