Limites entre estética e saúde

Enviada em 17/12/2020

“Um povo com crise de abstinência procura explicação para a existência, num mundo onde dão mais valor para a aparência, tem sua consequência.”. Esse trecho da música Bate a Poeira, da cantora Karol Conka, evidencia a realidade cruel da sociedade brasileira, que busca, copiosamente, a desnecessária perfeição dos corpos, ocasionada pela pressão da indústria da beleza e pela falta de políticas públicas para combatê-la. Portanto, providências são imprescindíveis.

Mormente, é notavel a imposição de padrões de beleza à sociedade. A respeito disso, a população é forçada a seguir um modelo utópico e, muitas vezes, recorre às intervenções cirúrgicas a exemplo de rinoplastia, preenchimento labial e lipoaspiração, essa última oferecendo um grande risco aos órgãos internos. Ligado a isso, de acordo com a Associação Nacional de Hospitais Privados, ANAHP, apenas em adolescentes tais procedimentos cresceram 141% nos últimos 10 anos, um número alarmante. Dessarte, é fundamental a dissolução dessa conjuntura.

Outrossim, é perceptível o défice de políticas afirmativas que revertam esse panorama. A essa ótica, segundo John Locke, filósofo inglês, em sua obra “O Contrato Social”, o Estado, como instituição máxima, tem a obrigação de fornecer subsídios à população e garantir o bem-estar social. Com isso, expressa-se uma divergência entre o que o Poder Público faz e o que deveria fazer, pois permanece estático em relação aos problemas oriundos da imposição de padrões de beleza.

À luz dessas considerações, medidas são primordiais para salientar os limites entre estética e saúde. Destarte, o Governo, por intermédio do Ministério da Saúde, deve viabilizar uma fiscalização rigorosa das intervenções estéticas, por meio de projetos de leis entregues à Câmara dos Deputados, para permição de procedimentos somente se necessários. Ademais, é função do Estado, também, assistir, psicologicamente, às vítimas desse cenário, com o fito de atenuar os dados da ANAHP e assegurar os direitos defendidos por Locke. Assim, aos poucos, repara-se a realidade citada na canção de Karol Conka.