Limites entre estética e saúde

Enviada em 18/12/2020

Beleza machuca

“A perfeição é a doença da nação”, na frase da música da cantora Beyoncé, é demonstrada o quão tóxica e perversa é a busca para se encaixar nos padrões de beleza da sociedade contemporânea. Nesse contexto, é indubitável que a questão da saúde e a estética não se restringe ao âmbito artístico, pois está intrinsecamente ligada à realidade do Brasil. Logo, é indiscutível que as consequências dos procedimentos e a influência midiática são desafios que necessitam ser enfrentados.

Cabe pontuar, a priori,os possíveis problemas ocasionados por esse desequilíbrio. Ademais, segundo o caso da modelo Andressa Uruch,a qual foi internada em estado grave após complicações na realização de uma cirurgia plástica na coxa. Nessa perspectiva,oberva-se os perigos dos tratamentos e processos estéticos sem o cuidado adequado ou em demasia. Haja vista que, além de ser um risco a saúde e à vida,quando esse padrão não é alcançado -como na maioria das vezes- causam doenças como a depressão, ansiedade e distúbios alimentares.Dessa forma,ao saber que o Brasil é o segundo país que mais realiza plásticas no mundo, é fundamental vetar esse desejo insaciável e patológico.

Por outro lado, vale ressaltar que o modelo criado e reforçado pela mídia instiga a exclusão de pessoas que não se enquadram na caixa. Posto que, conforme a Foucalt,é preciso mostrar às pessoas que elas são muito mais livres do que pensam para romper com pensamentos errôneos construídos em outro momento histórico. Nesse ínterim,para um corpo social  moderno, historicamente plural e diversificado,é inaceitável permanecer com concepções estéticas tão rígidas e excludentes.Como  a exemplo, o padrão europeu do corpo magro, olhos claros e cabelos loiros ditados pela tv, os quais não representam o corpo do homem ou mulher brasileira; o que ocasiona essa frustação pela busca não alcançada. Diante do exposto, ações tornam-se urgentes para inibir essa influência negativa.

Deprende-se, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, deve incitar a discussão acerca dos limites da saúde e a estética nas escolas (públicas e privadas), por meio de aulas nas disciplinas de humanas e natureza com o auxílio de materiais didáticos (música, livros e filmes) e com palestras por psicólogos, os quais retratem os perigos de seguir padrões de beleza e como isso afeta a mente humana, principalmente de jovens e adolescentes. Também, a mídia deve colaborar com essa desintoxicação da “ditadura da perfeição”, ao produzir programas com atores de diferentes formas, cores e culturas; além de elaborar propagandas e comerciais que estimulem a aceitação,tolerância e o amor próprio.Por conseguinte, mediante essas medidas, será possível criar um novo padrão na sociedade brasileira : ser feliz.