Limites entre estética e saúde
Enviada em 19/12/2020
Em conformidade com o filósofo Platão, ’’ o importante não é viver, mas viver bem’’. Dessa maneira, nota-se que uma boa qualidade de vida ultrapassa a questão da própria existência. Contudo, atualmente a qualidade de vida de muitos cidadãos veem sendo prejudicada, uma vez que há a priorização da estética em detrimento da saúde individual. Desse modo, deve-se analisar os fatores que intensificam o problema, como não só a imposição de padrões de beleza pela mídia, mas também a valorização excessiva da autoimagem.
Em primeira análise, vale ressaltar que após o advento da Revolução Industrial ocorreu a intensificação da globalização, logo a mídia foi uma ferramenta importante para a integração social e a divulgação de informações em tempo real. Desse modo, observa-se a grande lucratividade que a indústria da beleza adquire quando lança nos meios de comunicação padrões de beleza inalcançaveís e assim por meio das publicidades realizadas por pessoas influentes, a exemplo das blogueiras do Instagram, estipulam quais são os procedimentos a serem feitos para alcançar o ‘‘padrão ideal’’. Contudo, observa-se o prejuízo na saúde mental e física que esse sistema tem causado na população, tendo em vista a exclusão social de pessoas que fogem do ‘‘padrão ideal’’ causando doenças mentais, como ansiedade e depressão, além dos riscos da saúde populacional, uma vez que muitas pessoas submetem-se a procedimentos invasivos, colocando em risco a própria vida, na busca de uma beleza inalcançavél.
Além disso, vale lembrar que de acordo com a mitologia grega, Narciso, um homem muito belo, quando viu sua imagem refletida no rio apaixonou-se e na busca por ela caiu sobre as águas e morreu. Fora da mitologia, pode-se observar padrões narcisistas repetidos pela sociedade atual, haja vista que a valorização excessiva da autoimagem tem colocado em risco a saúde populacional, a exemplo da modelo Andressa Urach que em 2015 ficou em coma devido aplicação de hidrogel pelo corpo. Dessa maneira, nota-se a necessidade do equilíbrio diante da utilização dos procedimentos estéticos, já que a valorização da vida deve estar acida da busca de uma beleza idealizada.
Sendo assim, medidas devem ser tomadas para a resolução do impasse. Para tanto, é dever do Ministério da educação em parceria com instituições de ensino, a realização de palestras mensais nas escolas com profissionais da área da saúde que debatam e informem os alunos sobre a importância da desmistificação de um padrão de beleza ideal, a valorização da saúde em detrimento da priorização excessiva da autoimagem e o conhecimento sobre os riscos de procedimentos estéticos realizados sem a real necessidade, para que ocorra a formação de cidadãos conscientes que saibam equilibrar estética e saúde. Pois, somente assim será possível não somente viver, mas viver bem.