Limites entre estética e saúde
Enviada em 20/12/2020
Segundo o filósofo Roger Scruton, a beleza é uma necessidade universal do ser humano. Entretanto, nota-se, hoje, uma busca desmedida por um padrão que se distoa completamente do valor anunciado pelo escritor inglês. Nesse sentido, nota-se que muitas pessoas perderam o limite entre estética e saúde, em virtude, sobretudo, de uma desordem interior e uma “espetacularização da vida”, características da modernidade. Desse modo, medidas devem ser tomadas a fim de resolver essa problemática.
De fato, muitas pessoas vivem uma desordem interior que as levam a perder a medida entre estética e saúde. Sabe-se que a busca pela beleza é imprescindível, principalmente, quando se trata de qualidade de vida e autoestima. Com isso, nota-se que muitos indivíduos buscam a beleza para si,no entanto pela motivação e caminhos errados. Acerca disso,no documentário “Why Beauty Matters”,o Roger Scruton diz que a beleza é um valor tão importante quanto a verdade e a bondade,e um valor é permeado de equilíbrio e ordem. Porém, o que se vê são pessoas desordenadas que buscam,a todo custo, atender a uma estética,muitas vezes, prefigurada em padrões deslocados da realidade e, para isso,se submetem a cirurgias plásticas exageradas e ao uso de substâncias maléficas que põem saúde e vida em risco.
Além disso, a constante comparação e o desejo exacerbado de mostrar-se levam muitos indivíduos a perder o limite ente estética e saúde. Sabe-se que um dos fenômenos da pós-modernidade é a “espetacularização da vida”, em que, segundo o escritor Guy Debord, a vida das pessoas se tornou um espetáculo a ser exibido e, hoje ,isso pode ser comprovado nas redes sociais, por meio dos “stories” e das “selfies”. Nesse sentido, comparar-se com outros corpos e estilos de vida tornou-se rotina e,com isso, a busca por um padrão estético para ser aceito nas redes e mostrar-se, ganhando curtidas e seguidores, virou um ciclo vicioso e maléfico,tanto para os atores,quanto para os espectadores. Assim, devido a uma falha educacional, muitos arriscam sua saúde e vida por uma estética perfeita impossível.
Portanto, o limite entre estética e saúde está na busca da ordem e do equilíbrio, porém muitas pessoas perderam essa medida. Para resolver esse impasse, cabe às famílias combaterem a possível desordem interior das crianças, por meio de diálogos constantes sobre o verdadeiro sentido da beleza e do contato diário com obras de arte, natureza e música clássica, a fim de instruí-los sobre o belo a partir da virtude da ordem interior. Ademais, as escolas devem combater os padrões estéticos e alertar sobre o uso das redes sociais,por meio de debates, nas aulas de Filosofia e Sociologia,que instruam acerca da “sociedade do espetáculo” e da impossibilidade de certos padrões, chamando atenção para os riscos à saúde, com o fito de desconstruir a busca desordenada por uma beleza ilusória.