Limites entre estética e saúde

Enviada em 10/01/2021

Platão acreditava que a beleza estética estava pautada na noção de perfeição e verdade, existente apenas no mundo das ideias. Contudo, atualmente, a busca por corpos irreais e idealizados por intermédio de procedimentos cirúrgicos tem aumentado em demasia. Não somente, a procura por essas operações expandiu pela pressão estética disseminada através das redes sociais, a qual é altamente nociva à saúde mental e física dos internautas, além de propagar um inventário machista.

Durante a Era Vitoriana, era comum a invenção de diferentes tipos de cosméticos com substâncias tóxicas para as mulheres, afim de atigirem um padrão estético, uma iustração corriqueira desses hábitos eram os banhos de arsênico — composto cancerígeno — para clarear a pele. Para a percepção atual, essas práticas são abomináveis, todavia, novas práticas foram desenvolvidas mudando somente os artíficios, porém com a mesma finalidade, como dietas restritivas, procedimentos cirúrgicos, injeções com toxínas bacterianas. Um retrato dessa conjuntura é encontrado no caso da influenciadora digital Sthefane Matos, a qual operou a cavidade nasal três vezes por pressão estética de seus seguidores, o que acabou resultando em uma má formação do tecido cartilaginoso e a proporcionando problemas de saúde.

Simone de Beauvoir defendia que as definições de gênero são uma construção social, assim como os padrões de beleza. A partir dessa ideia e analisando os inventores dessa concepção, nota-se que a persistência de um ideal feminino — tanto de aparência, quanto de comportamento — na sociedade atual é a manutenção dos pensamentos machistas advindos antes da conquista dos direitos da mulher. Um modelo desse cenário é dado na recente obra cinematográfica “Enola Holmes”, na qual a protagonista enfrenta e resiste aos ditares do patriarcado, mostrando que não há um padrão a ser seguido.

Em suma, pautas sobre éstetica são decisivas para uma boa formação de saúde na sociedade. Portanto, urge ao Ministério da Saúde promover, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais alertando usuários dos riscos causados pela divulgação de conteúdos que promovam a exaltação de um padrão estético. Dessa forma, criando um meio social mais sadio, o qual gradualmente irá dissolvendo os paradigmas e preconceitos a cerca dessa temática.