Limites entre estética e saúde

Enviada em 11/01/2021

No livro “Morri Para Viver” a modelo brasileira Andressa Urach, relata a sua experiência de quase morte após a aplicação de hidrogel no corpo, uma realidade que tem se tornado muito recorrente entre homens e mulheres. Nesse contexto, os limites entre estética e sáude  constitui uma temática muito importante, principalmente devido ao desequilíbrio no número de operações e as consências físicas e pisicológicas, dessa busca por padrões  inalcançavéis, como o que aconteceu no caso da modelo.

A priori é válido ressaltar que na tentativa de driblar o próprio biotipo, muitas pessoas tem se submetido a procedimentos estéticos e cirurgicos. No qual, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), ocorreu um aumento de 141% no número de pessoas que optaram por intervenções.  Diante disso, nota-se um desequilibrio entre saúde e estética, uma vez que, esses dados crescem em ritmo exponencial. De modo que, na visão do filósofo Zygmunt Bauman, esse fato social pode ser explicado por meio dos seus estudos sobre modernidade líquida, principalmente devido a influência das mídias socias que constantemente ditam e mudam padrões, representando dessa forma as relações líquidas ditas por Bauman, que fazem com que os indivíduos pensem que para se tornar aceitos e enquadrados a esses tabus, precisam constatemente de tais procedimentos.

Além disso, as consequências físicas e pisicológicas desses paradigmas, também são fatores que intensificam essa disparidade entre saúde e estética.  No qual, de acordo com a  Organização Mundial da Saúde (OMS), os primeiros disturbios são caracterizados por estresse, depressão e ansiedade que posteriormente podem evoluir para transtornos alimentares. Nessa perspectiva, segundo Freud,  pai da psicanálise, o indivíduo ao inserir-se nesse ciclo de busca pela perfeição, acaba por tornar-se  refém do seu inconsciente, que em resposta atua afetado o próprio corpo. Desse modo, o tratamento psicológico é fundamental para todas as pessoas que ultrapassam os limites da quantidade de procedimentos.

Portanto, é evidente a necessidade de um equilíbrio entre saúde e estética. Dessa forma, é fundamental que o Ministério da Saúde, juntamente com Conselho Regional de Medicina, estipule um limite para procedimentos estéticos que uma pessoa pode realizar, para que assim, finalmente haja uma conformidade, e o número de operações diminua o seu índice de crescimento quebrando todos os tabus em relação a padronização dos corpos. Ademais, é essencial  que a própria familía identifique no familiar essa compulsão por procedimentos estéticos e com o auxílio do Sistema Único de Sáude, e profissionais na área de pisicologia, busquem um tratamento adequado, afim de que as consequências físicas e pisicológicas dessa busca pelo corpo perfeito não progridam para quadros mais graves como o que aconteceu com a modelo Andressa Urach.