Limites entre estética e saúde
Enviada em 21/12/2020
Com o avanço das mídias sociais através da internet a contemporaneidade se encontra com divergências não tão inéditas, mas provavelmente muito mais nocivas. Assim, desde a difusão dos meios televisivos houve uma alteração diante da visão do senso comum sobre a estética e a saúde, que infelizmente introduz problemáticas que aflingi principalmente as novas gerações de forma exarcebada - visto que essas cresceram com o domínio nesses meios tecnológicos.
Em primeiro plano, deve ser colocado o que são as figuras e a proporções que houve com as digitais “influencers”. Essas que são na sua maioria, mulheres das classes mais altas que possuem como profissão a arte de compartilhar suas vidas através das redes sociais. Então, por terem uma aquisição financeira maior que o restante da população, elas acabam por demonstrar detalhes de suas rotinas como os procedimentos estéticos que estão longe de ser uma realidade para grande parte da sociedade. Assim como Kylie Jenner de apenas 23 anos de idade - que nos seus 21 anos já havia se tornado uma empresária bilionária, segundo a Forbes - se consolida, provavelmente, como a mais bem sucedida das figuras publicas desse ramo. Contudo, é perceptível as múltiplas alterações estéticas que ela praticou antes mesmo de chegar aos 18 anos de idade. Entre esses procedimentos, o mais famoso e que se popularizou muito foi o preenchimento lábial, feitos por esteticistas da área.
Ademais, vale lembrar a força influente que as mídias - sejam elas quais forem - possuem diante da sociedade ocidentalizada. Os pensadores da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer entenderam em meados do século XX ainda essa questão, com a “Indústria Cultural” como projeto capitalista para moldar, rotular e alienar os individuos. Para melhor compreensão, se pode colocar o que foi a figura da atriz Marilyn Monroe como simbolo sexual que o entretenimento norte-americano a consagrou nos anos de 1950 e 1960. Deste modo, foi introduzido no consciente ocidental essa ideia de um “corpo perfeito” que se espelhava na figura da artista. Tanto Monroe quanto Jenner foram modelos de suas respectivas gerações, entretanto dá para analisar as diferenças e hostilidades crescentes com o tempo. Pois, nas décadas de 1960 não havia ainda tantas possibilidades de alterações nos corpos como em 2020.
Seja Monroe, Madonna, Britney Spears ou Kylie Jenner, portanto, é evidente a forma como o capitalismo acaba por provocar ainda mais dificuldades para milhões de mulheres, como se não bastasse o machismo estrutural. Mesmo que esse ultimo seja consequência de toda essa movimentação, os jovens se encontram cada vez mais com padrões de belezas dificeis de alcançarem. Onde além de provocar diversos problemas mentais, também dificulta a auto-aceitação.