Limites entre estética e saúde

Enviada em 21/12/2020

De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em 2019 o Brasil se tornou o país que mais faz cirurgias plásticas no mundo, com cerca de um milhão e meio desses procedimentos no período de um ano. Esses aumentos podem ser explicados pela grande propaganda que procedimentos de beleza têm recebidos de blogueiras com milhões de seguidores e grande influência nas redes sociais, que pregam e disseminam a ideia de que um corpo perfeito precisa seguir padrões, que geralmente, são alcançados apenas em um centro cirúrgico e que nem levam em consideração as problemáticas que muitas cirurgias podem trazer à saúde física e mental de pacientes.

Assim, grande parte das pessoas que optam por interveções cirúrgicas o fazem na tentativa de se encaixarem em um padrão, muitas vezes europeu e norte-americano de um rosto, corpo perfeito que devem ter as medidas exatas para alcançar a beleza. Esses pacientes, infelizmente, não levam em conta que essa busca constante e excessiva por mudanças pode vir de problemas mais profundos e que podem ser tratados com acompanhamento psicológico.

Entretanto, não pode-se negar que, em alguns casos, as cirurgias plásticas trazem sim o aumento da autoestima e uma verdadeira satisfação para a pessoa que a faz. Porém, isso acontece quando a decisão é tomada de forma calculada e bem pensada, e que vem de uma vontade racional do paciente que busca a mudança para se sentir ainda melhor e não para, magicamente, curar feridas interiores atráves de cortes em seu exterior.

Portanto, para que esse número gritante de cirurgias plásticas no Brasil diminua, se faz necessário que o Ministério da Sáude, por meio da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, exija que pacientes, antes de decidirem totalmente pelo procedimento, tenham um acompanhamento gratuito com psicólogos, para que a decisão tomada seja a melhor possível para a saúde física e mental dos mesmos.