Limites entre estética e saúde
Enviada em 21/12/2020
Conhecido mundialmente, o “Ken Humano” é um brasileiro que já se submeteu a mais de 70 cirurgias plásticas com o objetivo de aperfeiçoar a sua aparência. De modo análogo, hoje, muitos indivíduos, por enfrentrarem problemas de autoaceitação, põem a vida em risco, ao realizar intervenções cirúrgicas de modo indiscriminado. Nesse contexto, é válido ressaltar que os limites entre estética e saúde são, em sua maioria, rompidos, devido ao processo de padronização da beleza pela indústria cultural, que banaliza tais procedimentos.
Em primeiro plano, é importante salientar que a massificação social é um fenômeno emblemático da era capitalista. Nesse aspecto, segundo Adorno e Horkheimer, a indústria da arte padroniza e singulariza a sociedade, uma vez que a mídia promove ideologias e estilos de vida voltados à população. Desse modo, a beleza é idealizada, por causa da ação da indústria cultural, e imposta aos cidadãos que, manipulados, sentem-se obrigados a, inclusive, realizar intervenções estéticas para se satisfazerem. Logo, indevidamente, a população é levada a se submeter à cirurgias desnecessárias.
Ademais, a busca por uma estética ideal, propagada pela mídia, tornou irrelevante os perigos desses procedimentos. Nesse sentido, de acordo com a teoria da “Banalidade do Mal”, de Hannah Arendt, “o mal passa despercebido na sociedade quando os indivíduos normalizam tais costumes”. Analogamente, devido à vulgarização das cirurgias plásticas e a perda de criticidade, causadas por propagandas abusivas, concursos de beleza e tendências da moda, as pessoas passaram a minimizar os efeitos negativos dessa prática, que pode prejudicar a integridade física do paciente.
Destarte, é necessário medidas para que os limites entra a estética e a saúde dos brasileiros não sejam ultrapassados. Para isso, o Ministério da Saúde deve criar um projeto socioeducacional, por meio de campanhas e propagandas televisivas - em grandes emissoras, como a Globo, a SBT e a Record -, e da distribuição de cartazes, sobre os perigos ligados ao abuso de cirurgias plásticas. Sendo assim, o intuito de tal medida é conscientizar a população sobre os cuidados que devem ser tomados e reduzir, dessa maneira, a demanda por intervenções na aparência. Então, o Brasil evitará o uso indiscriminado da Medicina, pela população, e poderá zelar pela saúde física e mental dos brasileiros, sem ocorrência de novos casos, como o do “Ken Humano”.