Limites entre estética e saúde

Enviada em 22/12/2020

Em sua música “Pretty Hurts” a cantora Beyonce apresenta a narrativa de uma modelo refém de padrões estéticos. Em tom alegórico, a produção musical traduz uma problemática realidade contemporânea em que a pressão estética tem conduzido os indivíduos a busca inalcançável pela perfeição corpórea. Sob esse viés, tal dinâmica se apresenta como uma faceta exacerbada da Histórica, produzindo, desse modo, consequências físicas e mentais para a sociedade.

A fisionomia corpórea, marca cultural de um determinado povo, tornou-se uma questão complexa na atualidade. Históricamente, observa-se a presença de modelos diversos como o corpo avantajado da pré-histórica escultura “Vênus de Willendorf” e a simetria muscular na obra grega “O Discóbulo”. De modo análogo, a sociedade contemporânea apresenta uma tendência estética que, no entanto, adquiriu um exacerbado poder simbólico. Nesse prisma, ocidentais padrões hegemônicos como magreza e nariz afilados passaram a nortear as dinâmicas sociais. Isso ocorre desde a rede de transporte inadaptada a pessoas gordas até no mercado de trabalho munido de perfis estéticos prioritários, isto é, traços europeizados. Tal mecanismo induz nos indivíduos um medo da segregação social que, por sua vez, é traduzido em incessantes procedimentos estéticos como cirurgias e harmonizações.

Sob esse viés, a busca descontrolada por atingir um padrão supostamente de perfeição produz consequências para a saúde. Nesse cenário, a exposição desses modelos estéticos à nível midiático influencia, sobretudo, a parcela jovem a realizar intervenções. Esse processo pendular, segundo a óptica do filósofo Schopenhaur, se traduz em metas inalcançáveis que ao não serem atingidas geram um ciclo de frustações. . Dessa maneira, esse processo de decepção propicia o desenvolvimentos de transtornos como depressão, ansiedade, anorexia e bulimia. Tudo isso, ratifica o martírio gerado pela pressão estética evidente na canção “Pretty Hurts”.

Portanto, é evidente que na perspectiva atual a procura por padrões inalcançáveis causou a nociva banalização de procedimentos cirúrgicos e massificação da indústria estética. Logo, a fim de amenizar esse cenário urge que o Ministério da Educação introduza conteúdos sociológicos que discutam a diversidade estética e evoquem a pluralidade. Isso ocorrerá por meio da alteração da Base Nacional Curricular (BNCC). Ademais, é fundamental que tal mentalidade seja expandida para toda sociedade através do papel da Mídia na promoção de campanhas publicitárias com pluralidade da beleza corpórea. Somente assim , poder-se-á quebrar o ciclo de angústias enunciado por Schopenhaur.