Limites entre estética e saúde

Enviada em 22/12/2020

Durante a antiguidade clássica ocidental, a sociedade grega destacou-se no tocante à arte, refletindo no padrão de beleza daquele povo, que consistia em corpos simétricos e harmônicos, conquistados pela atividade física, visto que os gregos prezavam pela estética em consonância com a saúde.No entanto, no Brasil do século XXI, em oposição aos gregos antigos, a estéticas muitas vezes encontra-se desvinculada da saúde, ocorrendo a banalização e o excesso de processos estéticos, demosntrando um limite tênue entre os dois, que deve ser analisado.

Primordialmente, é vital analisar acerca das origens da quetão.Com o avanço exacerbado das mídias sociais na última década em todo o mundo, verifica-se um fenômeno bastante peculiar:a ditadura da felicidade, que consiste em uma realidade paralela criada por usuários,criando uma falsa sensação de um mundo sem defeitos, inclusive no tocante à imagem pessoas.Desse modo, é frequente que influenciadores digitais disseminem em suas redes sociais o corpo ideal ocidental, criado e imposto pela mídia,muitas vezes devido ao financiamento feito por empresas de cosméticos, farmacêuticas e clínicas de estética e cirurgia plástica por meio de publicidades pagas a esses influenciadores.

Ademais, é de suma importância salientar os reflexos da problemática.Dentre o mais significativo destaca-se o óbice da autoidentificação do indivíduo perante sua imagem e, por conseguinte, com sua identidade.Assim, é comum que indivíduos que recorrem à muitos procedimentos exclusivamente estéticos ou mesmo aqueles realizados por profissionais não qualificados, com o fito de melhorar a aparência e a autoestima, acabem não reconhecendo sua imagem,na medida que traços característicos por vezes,se perdem.Outrossim, muito dessas modificações são irreversíveis,prejudicando sobremaneira a vida e a convivência social,tendo em vista que a alteração da imagem recorrentemente culmina com o abalo mental e psicológico do indivíduo,podendo gerar reclusão,depressão e, em casos graves,até mesmo o suicídio.Com isso, percebe-se a gravidade e o risco inerente no que concerne a banalização e o excesso de intervenções unicamente estéticas em detrimento da saúde.

Diante do exposto,portanto,urge que a banalização da estética seja revertida e a mesma seja feita em consonância com a saúde.Para isso,é fundamental que a sociedade civil engajada,juntamente com a mídia,por intermédio das redes sociais e televisão,incentivem a população em aceitar os indivíduos com suas particularidades e defeitos,com o intuito de minimizar os excessos de intervenções cirúrgicas ou não,de cunho exclusivamente estético,ou seja,prescindíveis,bem como elucidar acerca de seus riscos e possíveis sequelas.Dessa forma,edificar-se á uma nação saudável que,assim como a grega,valorize a saúde e a estética conjuntamente,de forma a estarem em harmonia.