Limites entre estética e saúde

Enviada em 23/12/2020

A obra “Pequena Miss Sunshine” retrata, de maneira sensível e clara em sua mensagem, como a cobrança para estar de acordo com os padrões estéticos inicia-se cedo. Olive, protagonista do filme, aspira participar de um concurso de beleza para crianças, porque pensa que seria divertido, porém, ao longo da história, são apresentadas diversas situações problemáticas, como, por exemplo, a cena em que seu pai tenta convencê-la a não comer um sorvete para não engordar, afinal as participantes do Miss América não são gordas. A situação retratada no filme pode ser vista como um retrato ficcional do problema apontado pelo cirurgião plástico Douglas Jorge: as influências externas são as principais causas que acarretam a busca de cirurgias plásticas futuramente.

O Instagram, rede social amplamente popularizada na última década, cumpre um papel bastante nocivo no que diz respeito à divulgação de imagens que sustentam padrões praticamente inalcançáveis. Seja por fatores genéticos e individuais do corpo de cada um, seja pela manipulação de imagens pelo photoshop, evidencia-se, como consequência disso, os dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, notificando o aumento de 141% das cirurgias plásticas entre adolescentes, principais usuários da internet.

Além disso, é importante ressaltar que, de acordo com a OMS, cerca de 1 a cada 10 jovens sofre de algum tipo de transtorno alimentar. O ato de comer, uma atividade essencial para a vida, se torna motivo de angústia devido a transtornos como a bulimia, a anorexia e a compulsão alimentar, com impactos nocivos para a saúde física: anorexia, sistema endócrino desregulado, problemas cardiovasculares et cetera, de acordo com dados do Instituto de Psiquiatria Paulista.

Diante de tais mazelas, é necessário que o Ministério da Saúde inicie um projeto de regularização de procedimentos cirúrgicos com fins unicamente estéticos, evitando, assim, o uso irresponsável desse recurso. É interessante, também, que o mesmo Ministério promova, em ambientes escolares, palestras ministradas por profissionais da saúde mental, alertando sobre os riscos dos transtornos alimentares para a população jovem, e os alertando de que, muitas características retratadas pela mídia como ‘‘imperfeições’’ são apenas características particulares, criando, assim, uma sociedade que aceita melhor a si mesma e as diferenças estéticas