Limites entre estética e saúde

Enviada em 26/12/2020

Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante dos perigos envolvidos na obsessão pela estética. Com efeito, reestruturações educacionais e midiáticas são medidas impostas como necessárias para que haja limites entre estética e saúde.

Inicialmente, é válido ressaltar o descaso educacional acerca dos padrões de imagem e de comportamento que repercute no ambiente escolar por intermédio do bullying. De acordo com a Pesquisa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa), o Brasil encontra-se, há quase uma década, com o desenvolvimento da educação estagnado frente aos demais países. Desse modo, é preciso reiterar quais revoluções foram feitas no sistema para que houvesse melhoria e, então, tal fato problemático de ideais é mantido. Afinal, a educação está anacrônica, isto é, não tem acompanhado as mudanças de costume dos estudantes, os quais se encontram, muitas vezes, imersos no meio cibernético, influenciados por blogueiros e discursos estéticos. Por isso, é importante abordar tal tema em sala de aula para reduzir a formação de conflitos com a própria imagem e a do próximo.

Outrossim, é imprescindível mencionar o papel midiático para a formulação do ideal de beleza inatingível sem a intervenção de cirurgia plástica. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a violência simbólica, ou seja, a agressão com ausência de coerção física é muito prejudicial, visto que, ao atingir o psicológico do indivíduo, não é possível medir parâmetros do malefício, uma vez que trata-se de algo oculto e subjetivo. Dessa maneira, conclui-se que, ao assistir programas, por exemplo, os quais apresentam modelos irreais como protagonistas, o telespectador está suscetível à comparação de si com o personagem, que tem a imagem em ênfase, e, consequentemente, pode ser abatido pela frustação de se sentir diferente e excluído de tal moda. Assim, é preciso que o Ministério da Saúde adverta a imposição doentia de plásticas de forma a tornar a população menos suscetível ao ideal estético em detrimento do bem estar.

Portanto, evidenciam-se condutas importantes para que o limite entre a estética e a saúde seja respeitado. Por conseguinte, o Governo Federal deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, promover um debate nas escolas regionais, com o objetivo de analisar a saúde psicológica dos estudantes sobre as relações interpessoas no convívio institucional, a fim de estudar a validade do tema em questão e o real impacto negativo que a atenção à estética em exagero permeia, por exemplo, no resultado ao aprendizado em sala de aula. Com isso, espera-se que o progresso seja alcançado.