Limites entre estética e saúde

Enviada em 28/12/2020

A escultura pré-historica “Vênus” é a representação de beleza e de fertilidade do período neolítico. Nesse contexto, nota-se que o padrão de beleza variou muito ao longo dos anos, deixando marcas relevantes no comportamento social. Contudo, a beleza nunca teve tanta interferência na vida das pessoas como tem na sociedade atual, uma vez que a possibilidade e a facilidade das interferências cirúrgicas faz com que muitas pessoas abdiquem da própria saúde em prol de um ideal de beleza irreal. Logo as causas da intolerância estética e suas consequências físicas e psíquicas são pontos que merecem ser analisados.

Em primeiro plano, é válido considerar as redes sociais como os principais veículos de difusão de uma beleza manipulada e artificial. Dessa forma, a possibilidade de criar um perfil virtual belo, a partir de ferramentas tecnológicas- como o photoshop-, permite que particularidades tipicamente humanas sejam adulteradas. Como reflexo disso, o cidadão conectado passou a estranhar excessos da vida real, tornando-se intolerante às peculiaridades alheias. Assim, tal aversão estética constitui como uma violência simbólica, termo defino pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu como uma violência que ultrapassa os limites do físico, interferindo na dignidade humana.

Em virtude disso, a definição de um padrão de beleza excluí aqueles que não se enquadram e faz com que a procura por dietas absurdas e por interferências estéticas aumente. Com isso, o discurso de saúde é usado de forma equivocada para convencer o indivíduo a mudar- tal articulação é explicada por Michael Foucalt como biopolítica, uma forma de controle social exercido pela medicina. Entretanto, nem sempre a qualidade de vida é atingida, uma vez que a ansia por ser aceito faz com que muitas pessoas desenvolvam problemas psicológicos relacionados a baixa estima, como a depressão e a anorexia.

Dado o exposto, é mister colocar limites à supervalorização da estética. Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde, em parceria com as mídias sociais e por meio da reformulação de campanhas- como a conta a obesidade-, aumentar a representativide de pessoas fora do padrão em seus comerciais e defender a prática de bons hábitos alimentares e a prática de exercícios físicos ações desvinculadas do emagrecimento, com o fito de reacostumar o olhar estético ao mundo real e impedir que discurso sanitário imponha sobre os corpos.