Limites entre estética e saúde
Enviada em 27/12/2020
A prática de exercícios físicos é algo indispensável em uma vida saudável. Entretanto, o desejo de se encaixar em certos padrões tê levado à muitas pessoas o comprometimento da própria saúde, sendo ultrapassado o limite entre estética e saúde. De acordo com a ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética), apenas em 2018 o Brasil registrou a realização de mais de 1 milhão de cirurgia plásticas, além de 959 mil procedimentos estéticos não cirúrgicos. Estes números fazem com que o Brasil se torne o campeão entre os países que mais realizam prodecimentos estéticos no mundo.
O ideal de beleza é apresentado para os indivíduos todos os dias. Basta assistir ao intervalo comercial da televisão, observar os protagonistas das novelas, assistir um desfile de moda, acompanhar a publicidade das grandes marcas ou conferir as fotos postadas pelas pessoas mais seguidas do Instagram. Isso é muito importante para pontuar a mídia e a internet como grandes motores de divulgação da beleza idealizada, que promovem, por muitas vezes, corpos que estão longe de representar algo saudável, mas que sugerem satisfação e realização pessoal, além de fazerem deslumbre à uma juventude eterna.
A busca pelo corpo ideal é inalcançável para a maioria das pessoas, seja porque não cabe no bolso ou porque um corpo esquelético não compõe a estrutura corporal de qualquer um. Para chegar no corpo ideal, muitas pessoas, principalmente mulheres, se submetem a dietas rigorosas e procedimentos estéticos desnecessários. Os interesses econômicos por trás da ditadura da beleza são muitos, pois inúmeros serviços lucram por trás do culto da beleza: produtos de emagrecimento, cosméticos de beleza, chás, shakes, remédios milagrosos, pílulas emagrecedoras, cirurgiões plásticos, esteticistas, salões de beleza, academias. A vaidade em excesso é prejudicial pois não se tem um fim, cada vez mais se surge a necessidade de uma nova intervenção e quase nunca se sabe a hora de parar, pois a obsessão pela beleza é nociva.
Com isso, podemos considerar que cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, utilizar da mídia para alertar e conscientizar a sociedade das consequências geradas pela insaciável busca pelo corpo perfeito. A mídia deve assumir sua responsabilidade como formadora de opinião e promover campanhas para descontruir a visão limitada que existe sobre a beleza. É necessário que haja campanhas e propagandas sobre a importância de agir de maneira consciente e respeitar os limites do próprio corpo, pois como dizia o filósofo Aristóteles, é necessário ser equilibrado em relação aos costumes do cotidiano, pois o excesso ou falta de suas práticas podem impulsionar problemas.