Limites entre estética e saúde
Enviada em 28/12/2020
“Mens sana in corpore sano.” Esse famoso provérbio latino que elucida a relação entre corpo e mente - uma mente sã em um corpo são - evidencia a necessidade de existir um equilíbrio entre eles. Entretanto, no mundo contemporâneo, os padrões de beleza instaurados pela mídia inculcam comportamentos doentios nos indivíduos, principalmente do sexo feminino, os quais acarretam em um desequilíbrio entre o corpo e a mente e, logo, colocando a estética contra a sáude, em prol de um padrão de beleza.
Em primeiro lugar, é de extrema importância salientar que a mídia exerce um papel frustante e deveras aliendado de penetrar na mente dos sujeitos determinados estilos de vida que devem ser seguidos se quiserem ter o corpo “perfeito”. Essa criação de um protótipo de beleza transforma o sujeito em uma massa desenfreada e incansável pelo corpo belo, levando-o à atitudes intrigantes e perigosas, utilizando as imagens de beleza contra as mulheres, como é retratado pela Naomi Wolf em sua obra “O Mito da Beleza”.
Um outro fator estridente relacionado aos limites entre a estética e a saúde são os distúrbios alimentares e de imagem, os quais o indivíduo não consegue aceitar o seu próprio corpo da maneira como ele é, sendo um tema abordado em diversas mídias e serviços de streaming, como é o caso do filme “O Mínimo para Viver”, disponível na Netflix. Esse filme retrata, com excelência, a anorexia na vida da protagonista, relatando o uso de laxantes, práticas de exercícios físicos incessantemente e a contagem calórica dos alimentos; medidas arriscadas que almejam um só objetivo: ter o corpo magro que é valorado como ideal.
Sendo assim, é evidente que a preocupação com o corpo está sendo incentivada por uma cultura que valoriza a imagem e a forma física em detrimento à saúde, tendo como aliado primordial a mídia. Portanto, cabe aos canais abertos da televisão brasileira, incluírem, em suas programações, atores e apresentadores com diferentes formas e tipos de corpos, a fim de trazerem uma maior representatividade para a sociedade. Além desses mesmos canais, em parceira ao Ministério da Saúde, elaborarem propagandas e rodas de conversas com médicos, psicólogos e nutricionistas sobre os riscos da obsessão pelo corpo perfeito. Assim, a sociedade refletirá sobre o respeito aos limites do corpo e da mente.