Limites entre estética e saúde

Enviada em 28/12/2020

Na música “Máscara”, da cantora Pitty, retrata em sua letra a relevância de se aceitar, mesmo que contrarie os padrões impostos pela sociedade. Entretanto, ao analisar o cenário do Brasil hodierno, nota-se que o descrito pela cantora é tratado de forma precária, posto que haja insipiência acerca dos limites entre estética e saúde. Logo, aspectos como a influência midiática e a cultura de consumo compactuam-se no agravamento do revés.

A princípio, é lícito postular que a influência midiática reforça o imbróglio, uma vez que a mídia impõe e difunde padrões de belezas ditos como perfeitos, porém, comumente são inalcançáveis. Desse modo, o Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), efetuou uma pesquisa com 159 pessoas em que, a partir dos dados coletados, comprovou-se o papel da mídia na satisfação corporal e alimentícia entre os jovens. Por conseguinte, essa situação de alienação da sociedade, propicia uma série de distúrbios psicológicos nas pessoas que não se inserem nesses padrões. Dessarte, é alarmante que tal prática de desrespeito advenha de forma tão constante na contemporaneidade.

Outrossim, é válido ressaltar que a cultura de consumo figura-se um empecilho, a qual é ocasionada a medida que algumas empresas apropriam-se dos avanços tecnológicos para criar produtos como pílulas, comidas diet, a fim de aprimorar a estética e impulsionando o consumismo exacerbado. Posto isso, os filósofos da escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, dissertam que a indústria cultural tirou a consciência das pessoas, em que os consumidores detêm de uma necessidade de compra ilusória e se tornam maquinas voltadas para o consumo, assim, evidencia a conjuntura exposta. Dessa maneira, contribui para aumento do índice de cirurgias plásticas entre os indivíduos. Portanto, é nocivo que esse fenômeno desacato persista no tecido social brasileiro.

Em virtude dos fatos supracitados, medidas capazes de mitigar o entrave acerca dos limites entre estética e saúde são indispensáveis. À vista disso, urge que o Estado como mediador primordial, apresente à sociedade, através de campanhas em redes sociais, exibindo os diferentes modelos de beleza visando à quebra de paradigmas e uma melhor regulação da influência midiática, por intermédio de consultas públicas a e fiscalização dos anúncios divulgados. Ademais, o Ministério da Educação, em consonância com emissoras de televisão, devem criar propagandas e desenhos infantis despertando o olhar pelo caráter pessoal e não pela beleza, de modo a incentivar a aceitação individual desde a infância.