Limites entre estética e saúde

Enviada em 01/01/2021

De acordo com a OMS - Organização Mundial da Saúde - saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças. Sob essa ótica, muitos indíviduos estão dispostos a cruzar os limites do seus próprios corpos em prol do padrão de beleza mais valorizado. Nesse sentido, convém analisar tanto a influência das mídias socias na identidade de jovens que buscam aprovação usando sua aparência, quanto à atitude imediatista que abre um leque de riscos que poderiam ser minimizados.

Em primeiro lugar, as redes sociais apresentam um grande potencial de moldar a autoimagem dos usuários, principalmente aqueles em processo de formação de identidade. Diante disso, uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mostrou um aumento de 141% no número de procedimentos entre pacientes de 13 a 18 anos na última década. É evidente que a popularização de aplicativos de edição de fotos seguida pela aprovação imediata de likes e comentários incentiva adolescentes a recriar os resultados em uma sala de cirurgia. Assim, é inadmissível que educadores responsáveis mantenham-se inertes diante de riscos impostos à autoestima e bem-estar.

Outrossim, a atualidade é marcada pelo imediatismo, os resultados devem ser obtidos agora, as condições ou consequências são colocadas em segundo plano. No romance filosófico “O Retrato de Dorian Gray”, do escritor inglês Oscar Wilde, o personagem homônimo sacrifica sua própria alma em um esforço para preservar sua juventude e beleza. De maneira análoga, muitos brasileiros estão dispostos a colocar sua saúde em xeque com procedimentos sucateados realizados por profissionais sem a devida certificação de médicos cirurgiões. Dessa forma, a necessidade de planejamento e expectativas reais de mudança merecem ser enfatizados mais do que nunca.

Faz-se necessário, portanto, que a escola desenvolva um projeto de valorização da autoestima, por meio de palestras bimestrais abertas ao público. Com a ajuda de psicólogos e médicos locais, essas apresentações devem abordar temas como a valorização pessoal além da estética, o impacto da internet, ademais, formas saudáveis de lidar com as insatisfações com o corpo. Espera-se, com isso, não apenas garantir que a saúde se sobreponha à vaidade, como também garantir o bem-estar integral defendido pela OMS.