Limites entre estética e saúde
Enviada em 29/12/2020
A série original da Netflix “O preço da perfeição” narra a história de estudantes que sonham em tornarem-se bailarinos famosos. Para isso, os jovens atletas precisam ser sempre perfeitos, tanto na aplicação das técnicas, quanto fisicamente. Por esse motivo, um dos personagens desenvolve bulimia e passa a ter problemas de saúde ao tentar entrar nos padrões impostos. Análogo à ficção é a realidade de milhares de brasileiros na atualidade. Infelizmente, muitos cidadãos sentem-se precionados pelos padrões observados nas mídias e submetem-se a procedimentos estéticos. Isso ocorre por diversos motivos, como a dinamicidade dos padrões estéticos e influências externas.
Primeiramente, vale destacar que os padrões impostos pela sociedade estão em constante mudança. Por esse motivo, as pessoas que submetem-se ao primeiro procedimento estético apenas para tentar se encaixar em determinado modelo, geralmente, precisam realizar outras cirurgias ao decorrer da dinamicidade do corpo ideal. Posto isso, vale destacar a teoria da Tábula Rasa, desenvolvida pelo filósofo inglês John Locke, que afirma que o homem nasce como uma folha em branco e seu conhecimento é adquirido com o tempo, por meio de vivências e experiências. Dessa maneira, fica evidente que se os cidadãos forem educados desde cedo sobre a beleza individual de seus corpos, com o tempo, eles terão consciência disso e abandonarão a busca pela perfeição.
Em segundo lugar, é importante lembrar que, comumente, as pessoas negligenciam a saúde por influências externas, para tentar copiar corpos esculpidos em programas de photoshop ou, ainda, livrar-se de comentários sobre alguma parte do corpo que não é considerada um exemplo de beleza estética. Esse fato pode ser elucidado em uma entrevista realizada pelo site “Gente ig”, em que o cirurgião plástico Douglas Jorge afirma que muitas mulheres que chegam ao seu consutório desejam afinar o nariz ou, ainda, aumentar os seios para copiar belezas externas. Além disso, é notório que a ascensão das redes sociais no século XXI aumentou ainda mais a busca do corpo irreal. Com isso, é necessário arrumar maneiras de fazer com que a sociedade pare de procurar exemplos externos e aceite sua própria beleza.
Portanto, a fim de extinguir os problemas de saúde ocasionados pela pressão de determinados padrões estéticos, a Secretaria da Saúde deve convencer a população de que os diferentes tipos de corpos possuem belezas distintas. Isso seria possível por meio de uma campanha denominada “Ame-se”, em que corpos reais seriam abordados pelas mídias, sem a utilização de editores e que teria como objetivo principal debater sobre as diferentes formas de beleza. Assim, as pessoas poderão ter saúde sem se preocupar com a estética e a perfeição terá um preço apenas na ficção.