Limites entre estética e saúde

Enviada em 06/01/2021

A música “Pretty Hurts”, de Beyoncé, expõe a relação conflituosa da aparência entre os indívudos, uma vez que sempre estão em busca pelo corpo ideal. Assim, percebem-se traços semelhantes a essa prerrogativa no cenário atual, visto que, no Brasil, há estraves sobre os limites entre estética e saúde. Desse modo, é viável analisar os empecilhos e as consequências que influem na problemática.

Deve-se destacar, primeiramente, o posicionamento das mídias sociais. Nesse ínterim, o conceito da “Sociedade do Espetáculo”, elaborado por Guy Debord, pressupõe uma configuração em que a imagem é superior ao ser real. Sob esse viés, tem-se o desenvolvimento da conceituação do padrão corporal, o qual é disseminado, principalmente, pelas redes comunicativas. Retornando para o contexto contemporâneo, é perceptível equivalências no âmbito social, dado que, aproximadamente, 8% das mulheres sofrem distúbios e se submetem a cirurgias de alto risco, a fim de conquistar o corpo idealizado pelos veículos massificados, segundo dados.

Ademais, é válido ressaltar o fator consequente. Desse modo, a anorexia nervosa é um distúrbio alimentar caracterizado pela distorção de como o próprio indivíduo se enxerga perante o espelho e as práticas de dietas restritivas na tentativa de alcançar o “padrão de magreza” culturalmente construído. Para ilustrar tal ideia, tem-se o filme “O mínimo para viver”, o qual retrata a vida de homens e mulheres que apresentam essa condição de transtorno alimentício, ocasionando diversas consequências para sua vivência indivual e coletiva. Fora da ficção, esses acontecimentos se fazem presente na esfera brasileira, uma vez que 4% das mulheres possuem essa doença, segundo pesquisas. Portanto, a imposição de como as pessoas devem se aparentar não é o único fator para tal perspectiva, porém esse mecanismo é muito influído por essas exigências desenvolvidas.

Depreende-se do paradigma, contudo, a necessidade de providências em relação à problemática. Em primeiro plano, cabe às mídias sociais, criar e disponibilizar conteúdos informativos relevantes acerca do entrave, mediante campanhas e anúncios nos aplicativos mais utilizados, para que dissemine conteúdos verídicos, capazes de desconstruir a visão de que apenas um modelo de corpo é o ideal e o mais apreciável. Em segundo plano, faz-se essencial que o Governo Federal, melhore a qualidade dos tratamentos psicológicos e físicos, direcionados especificadamente para as pessoas com distúrbios alimentícios, por meio da destinação de verbas e o apoio aos profissionais resposáveis por esse setor, afim de que esses indivíduos possuam o suporte necessário para assegurar a saúde corporal e mental. Assim, a realidade prevista na música “Pretty Hurts”, deixará de ser um fato ativo na sociedade brasileira.