Limites entre estética e saúde
Enviada em 10/01/2021
No mundo contemporâneo, em que saúde e estética se mesclam no imaginário popular, gera-se adultos inseguros com os próprios corpos e juízes acerca das aparências alheias buscando encontrar na vida real a construção idealizada de beleza difundida pelas mídias, porém, que sequer existe. Todavia, é tido como exigência social seguir à risca os padrões estéticos estabelecidos para obter validação da sociedade. E para aqueles que não seguem as regras, portanto, o castigo: ostracismo social. Em primeiro plano, é importante ressaltar o papel de influências da indústria do entretenimento. Desde a seleção do elenco para programas televisivos ao roll de celebridades vistas como semi-deuses que quase sempre se encaixam nos padrões estabelecidos e fazem de tudo para manterem a posição dentro das convenções sociais. Estes são alguns dos indicativos de que a norma estética está, intrinsicamente, enraizada na matriz cultural. Neste cenário problemático, se faz necessário, portanto, estipular uma linha, não necessariamente tênue, de divisa e esclarecimento entre estes dois conceitos tão diferentes e, ao mesmo tempo, erroneamente proclamados como sinônimos através dos meios de comunicação de massas. Como consequência da ausência de senso de responsabilidade por parte dos veículos midiáticos no que concerne a disseminação de imposições de beleza na população, formam-se cidadãos extremamente inseguros e intolerantes ao diferente. No conto infantil “O Patinho Feio”, é narrada a história de um personagem que sofre discriminação por não possuir as mesmas características que os outros animais e, ao final, se descobre sendo um lindo cisne e encontra um grupo ao qual sente-se como pertencente. Contudo, fora da ficção, nem sempre se possui um final feliz. De acordo com Di Santis, estudos consagrados apontam que o Brasil é o segundo país que mais realiza procedimentos estéticos cirúrgicos – perdendo somente para os Estados Unidos – e o pesquisador analisou apenas o universo de 102 casos que foram noticiados na imprensa brasileia. Nesse sentido, é evidente que os brasileiros ainda aderem para si o ideal imaginario de corpo perfeito que, muitas vezes, compromete a própria saúde do indivíduo. Tendo em vista os aspectos observados, é vital que medidas sejam tomadas para a contenção das problemáticas geradas pela necessidade de adequação ao modelo de perfeição determinado externamente. Para isso, é imprescindível que a Secretária de Saúde (MS), desconstrua conceitos inverídicos utilizando dos meios de comunicação como revistas, mídias sociais e palestras gratuitas com participação de especialistas, com o fito de proporcionar consciência coletiva.