Limites entre estética e saúde

Enviada em 03/01/2021

No livro “O Extraordinário”, o personagem principal Auggie tem uma síndrome genética que afetou a feição de seu rosto. Entretanto, apesar de constantemente sofrer bullying por causa de sua aparência, o jovem aceita o desafio de frequentar uma escola pela primeira vez, provando ser uma criança como todas as outras. Nesse contexto, diferentemente da literatura, o padrão de beleza imposto pela mídia é um dos motivos que torna frequente a automutilação dos corpos para se encaixarem no que estabeleceram como belo. Desse modo, houve uma normalização de procedimentos estéticos desnecessários e um aumento de transtornos alimentares, problemáticas que se tornaram recorrentes.

Em primeiro lugar, é necessário levar em consideração o pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, em que ele afirma que o maior erro que o homem pode cometer é sacrificar a sua saúde em detrimento de outras vantagens. Nessa perspectiva, a incessante busca pelo tão sonhado corpo perfeito, vem deixando as pessoas cada vez mais suscetíveis à tomada de medidas drásticas para alcançar tal estereótipo. No entanto, deve-se levar em consideração a grande influência das mídias e redes sociais no aumento da realização de procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos.

Outrossim, nota-se o exagero de propagandas e anúncios de cosméticos, academias e clínicas de estética, fazendo com que seus consumidores utilizem e submetam-se a procedimentos, exercícios físicos e dietas exagerados e, na maioria das vezes, sem a ajuda de um profissional. De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% dos jovens brasileiros sofrem de distúrbios alimentares, geralmente causados ​​por insegurança e pela busca por um padrão corporal que pode ser inalcançável. Dessa forma, é visível o aumento de doenças relacionadas à alimentação, como a bulimia e a anorexia, e também o aumento de transtornos mentais, como a ansiedade, a depressão e o Transtorno Obssessivo - Compulsivo (TOC), podendo levar ao suicídio.

Em suma, os estereótipos estabelecidos não estão fazendo bem à saúde da população, sendo necessário a ação dos órgãos responsáveis. Portanto, é dever do Ministério da Saúde associado ao Legislativo, adotar medidas para diminuir a procura e realização de procedimentos estéticos de risco e pôr limites em propagandas ligadas ao tema. Tais providências deveriam ser tomadas através da elaboração de leis e programas que controlem o objetivo das cirurgias a serem realizadas, bem como projetos que melhor regulem a influência midiática sob o viés estético, criando consultas públicas que insiram os padrões de beleza comuns na sociedade, com o intuito de aumentar a qualidade de vida, o bem estar e a autoaceitação dos brasileiros. Dessa maneira, podemos visar o fim da padronização corporal e voltar a prezar pela nossa saúde em primeiro lugar.