Limites entre estética e saúde

Enviada em 02/01/2021

Na obra ´´A República``, do escritor grego Platão, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de cidadãos incultos. Entretanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a estética e a saúde apresentam barreiras as quais dificultam a concretização de uma pólis ideal para Platão. Nesse contexto, esse panorama desvantajoso é fruto tanto da falta de aprovação legal de procedimentos, quanto da busca por locais clandestinos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade do século XXl.

Precipuamente, é fulcral pontuar que arriscar a vida pela estética se deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Além disso, segundo o pensador empirista John Locke,´´ o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população``, no entanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, a falta de atuação das autoridades na questão da aprovação legal de alguns procedimentos, faz com que as pessoas busquem aprovações em outros países, e com maiores chances de prejudicar as suas saúdes ou até mesmo perder a vida. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a busca de localizações clandestinas como promotor do problema. Certamente, de acordo com o médico especialista Paulo Muzy,´´ qualquer alteração fisiológica, só deve ser feita em casos de necessidade extrema``. Em relação a esse pressuposto, no Brasil, esses procedimentos são feitos sem necessidade, pois, poderiam ser resolvidos na maioria das vezes por atividade física. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a busca pela facilidade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar cirurgias desnecessárias, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Governo, será revertido em aprovar procedimentos estéticos com especialistas e com boa estrutura hospitalar, e incentivar outros métodos mais demorados que são saudáveis como: corrida, luta, musculação, por meio do Ministério da Saúde e Ministério da Justiça, para que se possa realizar esses métodos de forma legal e mais seguro para o cidadão brasileiro. Logo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos de cirurgias estéticas, e a coletividade alcançará a harmonia do livro de Platão.